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Melhor é não precisar

26 de março de 2010

Acordo prevê que Grécia pode pedir socorro aos países da zona do euro e ao Fundo Monetário Internacional. Seria a primeira vez que o FMI iria interferir na economia da zona do euro, em 11 anos de moeda comum.

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Primeiro-ministro grego Giorgos PapandreouFoto: AP

A Grécia respira aliviada: se tudo der errado e o país não conseguir refinanciar seus títulos no mercado, virá ajuda dos países da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse foi o acordo firmado na reunião dos chefes de Estado e governo dos países-membros da União Europeia (UE), que se encerrou nesta sexta-feira (26/03) em Bruxelas.

De imediato, a reação foi positiva sobre a cotação do euro – nesta sexta, a moeda subiu até 0,9% depois de atingir o pior patamar dos últimos dez meses.

Esta é a primeira vez que o FMI – tão conhecido dos países emergentes – é incluído num pacote de ajuda a um país da zona do euro, em 11 anos de história. O banco é baseado na capital dos Estados Unidos, Washington.

Todos satisfeitos

Após os longos meses de debate sobre a situação grega, o resultado do encontro parece ter agradado às partes envolvidas. "A União Europeia foi unânime, o que não aconteceu anteriormente", avaliou o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou.

Sobre a ajuda combinada entre países da zona do euro e o FMI, Papandreou foi categórico: "A Grécia foi um pretexto para acertar esse mecanismo, mas ele estava concebido pelos [16] estados-membros. E nós achamos que não vamos precisar usá-la."

Já a chanceler federal alemã, Angela Merkel, elogiou a decisão: "Acho que a Europa provou sua capacidade para agir diante de grandes assuntos", disse ao fim do encontro, destacando também a importância de que se mantenha a estabilidade do euro.

O chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, também declarou que a decisão foi importante, e acrescentou: "Espero que os mercados financeiros ajam diante de fatos, não diante de ficção".

Papel do FMI

Depois do anúncio do pacote de ajuda, o Fundo Monetário Internacional ainda procura esclarecer seu papel. "Estamos acompanhando tudo de perto", declarou a instituição em nota.

Devido à situação inédita, o FMI ainda não sabe dizer quais políticas serão aplicadas em caso de empréstimo ao governo grego, já que o país está sob jurisdição das regras da União Europeia.

A cota de empréstimo da Grécia junto ao FMI é equivalente a 1,25 bilhão de dólares – embora seja permitido sacar até dez vezes esse favor, de acordo com as regras adotadas pelo FMI durante a crise financeira global.

Mas analistas calculam que a Grécia poderia conseguir um empréstimo entre 20 e 22 bilhões de euros do Fundo.

Lições da crise grega

Os países da zona do euro concordaram, também, em aumentar a vigilância uns sobre os outros para evitar um caso semelhante ao caos financeiro vivido na Grécia.

Há outros países do bloco na berlinda, notadamente Portugal, Espanha e Irlanda. Mas para o chefe do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, as medidas anunciadas devem garantir o futuro da estabilidade do euro.

NP/afp/rtr/dpa
Revisão: Augusto Valente