Jornalista Ricardo Boechat morre em acidente de helicóptero

Aeronave que transportava apresentador do Jornal da Band atingiu caminhão enquanto tentava fazer pouso de emergência em São Paulo. Morte de jornalista veterano repercute no meio político e na imprensa.

O jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, morreu nesta segunda-feira (11/02) após a queda de um helicóptero. O acidente ocorreu em um trecho do Rodoanel que dá acesso à rodovia Anhanguera, na zona oeste de São Paulo.

Além de Boechat, morreu o piloto da aeronave, Ronaldo Quattrucci, que tentou fazer um pouso de emergência na pista e acabou atingindo um caminhão. O motorista do veículo ficou ferido, enquanto os ocupantes da aeronave morreram na hora.

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Veterano com mais de quatro décadas de jornalismo, Boechat era atualmente âncora do Jornal da Band, na TV Bandeirantes, e apresentava o programa matinal da rádio BandNews FM. Além disso, escrevia uma coluna para a revista Istoé.

Segundo o Grupo Bandeirantes, Boechat estava voltando de Campinas, onde havia dado uma palestra a convite de uma empresa farmacêutica, a Libbs. O helicóptero que prestava serviço de táxi aéreo havia sido fretado pela empresa. Ele deveria ter pousado no heliponto da TV Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, por volta do meio-dia.

O anúncio de que o jornalista estava entre as vítimas do acidente foi feito ao vivo pelo apresentador da TV Bandeirantes José Luiz Datena, do programa Brasil Urgente.

"Queria informar que o maior âncora da TV brasileira, Ricardo Boechat, morreu hoje em um acidente de helicóptero no Rodoanel, aqui em São Paulo", disse Datena, que chorou ao fazer o anúncio. "Entre os ocupantes estava um companheiro sobre quem eu jamais pensei que fosse dar essa informação."

A confirmação do acidente foi seguida de dezenas de mensagens de jornalistas que manifestaram pesar pela morte de Boechat. Muitos foram colegas de trabalho pelos diferentes veículos em que ele trabalhou.

O presidente Jair Bolsonaro também se manifestou. "É com pesar que recebo a triste notícia do falecimento do jornalista Ricardo Boechat, que estava no helicóptero que caiu hoje em SP. Minha solidariedade à família do profissional e colega que sempre tive muito respeito, bem como do piloto. Que Deus console a todos!", disse Bolsonaro.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, também publicou uma mensagem lamentando o acidente. "Manifesto meus sentimentos às famílias de #RicardoBoechat e do piloto do helicóptero, aos profissionais da Rede Bandeirantes, rádio e televisão, extensivos à classe jornalística, pela triste notícia do acidente que os vitimou. Deus no comando", escreveu em sua conta no Twitter.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foi outro político a lamentar a morte de Boechat. "Era um profissional reconhecido pelo trabalho e senso crítico aguçado revelado nos principais meios de comunicação do país", disse o senador em nota. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por sua vez, afirmou que "Boechat foi um dos grandes comunicadores do nosso país e uma referência de bom jornalismo e independência".

Boechat nasceu em 1952, em Buenos Aires, filho de uma argentina e de um diplomata brasileiro. Iniciou sua carreira no início da década de 1970, no extinto jornal Diário de Notícias, onde trabalhou ao lado do colunista Ibrahim Sued. Nos anos 1980, passou a trabalhar para O Globo. Deixou o jornal da família Marinho em 1987 para chefiar a comunicação social do governo do Rio de Janeiro durante a administração de Moreira Franco, mas voltou para O Globo em 1989.

Nesta última passagem, foi o titular de uma coluna de notas políticas que levava seu nome. Também trabalhou como comentarista do Bom Dia Brasil, da TV Globo, se tornando um dos jornalistas mais influentes do país. Uma série de furos jornalísticos durante sua carreira lhe rendeu três prêmios Esso – em 1989, 1992 e 2001. 

Apesar da influência, Boechat foi demitido de maneira ruidosa da Rede Globo em 2001. A saída foi motivada por uma reportagem da revista Veja sobre um grampo telefônico com um diálogo entre Boechat e o assessor de um empresário que disputava o controle de empresas de telefonia brasileiras. Na conversa, Boechat adiantou para o assessor o teor de uma reportagem sobre a disputa no setor. O jornalista foi acusado de conduta antiética. Após deixar a Globo, passou a trabalhar no Jornal do Brasil e como comentarista no SBT.

Chegou ao Grupo Bandeirantes inicialmente como diretor de jornalismo da emissora no Rio de Janeiro. Em 2006, passou a apresentar o principal telejornal da emissora. Nessa fase, se tornou ainda mais conhecido pelo país. Em 2015, durante seu programa matutino na BandNews, bateu boca com o pastor fundamentalista Silas Malafaia, quem acusou de ser "um pilantra" e "explorador da fé alheia".

No mesmo ano, revelou que tinha depressão. A postura de revelar sua doença publicamente rendeu mensagens de apoio. À época, chegou a ser afastado para tratamento médico. Ao voltar ao trabalho, comentou sobre a experiência em um de seus programas. 

"A experiência mostra que, se não reservarmos um tempo para nos sentirmos bem, sem dúvida depois teremos que despender tempo passando mal. E foi o que aconteceu. Mas a cura existe. Às vezes requer tratamentos demorados", disse.

Em 2016, quando o então deputado Jair Bolsonaro votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e dedicou seu voto na Câmara em "memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra", um notório torturador do regime militar, Boechat questionou a atitude no Jornal da Band. "Torturadores não têm ideologia. Torturadores não têm lado. Torturadores são apenas torturadores. É o tipo humano mais baixo que a natureza pode conceber. São covardes, são assassinos e não mereceriam, em momento algum, ser citados como exemplo", disse o jornalista na ocasião.

Boechat deixa seis filhos e a esposa.

JPS/ots

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