Justiça suspende acordo entre Boeing e Embraer

Em liminar, juiz de São Paulo defende pausa no negócio devido à mudança de presidente e para evitar ações irreversíveis. Aval do governo federal é necessário para venda de parte da fabricante brasileira.

A Justiça Federal de São Paulo suspendeu, em caráter liminar, o acordo da venda de parte da Embraer para fabricante de aviões americana Boeing. A ação popular contra o negócio foi movida por Paulo Pimenta, Carlos Zarattini, Nelson Pellegrino e Vicente Cândido, deputados federais do PT.

Economia | 23.02.2018

Segundo o juiz Victorio Giuzio Neto, a suspensão provisória do negócio é necessária diante a mudança de governo para evitar ações que sejam irreversíveis no futuro.

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"Considerando também a proximidade do recesso do Poder Judiciário ao qual se deve somar a posse do novo Presidente da República com as alterações em equipes de governo, ao lado da ampla renovação do Poder Legislativo, o que torna igualmente recomendável evitar que eventuais atos concretos se efetivem neste período criando uma situação fática de difícil ou de impossível reversão", destacou o juiz na liminar concedida nesta quarta-feira (05/12).

Em julho, as fabricantes de aviões anunciaram um acordo de intenções para a criação de uma nova empresa de aviação comercial de capital fechado.

joint venture – empresa criada com os recursos de duas companhias – deveria assumir parte dos negócios de aviação comercial da Embraer, a terceira maior fabricante do mundo, com um volume de negócios de 6 bilhões de dólares (23,43 bilhões de reais).

A Boeing irá administrar 80% do capital da nova companhia e deverá pagar 3,8 bilhões de dólares do valor de avaliação, enquanto a Embraer ficará com os 20% restantes.

O acordo precisa ser aprovado pelo governo brasileiro, pois apesar da privatização em 1994, a União possui na Embraer uma golden share que lhe confere o poder de dar o aval sobre as decisões da empresa.

Ao lado da Bombardier, a Embraer é líder no mercado de jatos regionais. A suspensão das negociações derrubaram em 2,4% os valores das ações da empresa na Bovespa.

CN/abr/ots

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Boeing preenche lacuna

Na década de 1960, as viagens aéreas entraram na moda. Tanto nos EUA como na Europa, o mercado de trajetos de média distância cresceu rapidamente. Naquela época, Lufthansa e United Airlines ainda não haviam comprado modelos de médio alcance – e isso foi uma oportunidade para a Boeing. A foto mostra um dos primeiros modelos 737, durante sua fabricação em Seattle, EUA.

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Lufthansa foi primeira cliente do modelo

O voo inaugural do Boeing 737 foi realizado em 9 de abril de 1967. Nesse mesmo ano, a Lufthansa se transformou na primeira cliente do modelo. Com a aeronave, a companhia aérea alemã podia transportar cerca de 100 passageiros e voar até 3.400 quilômetros. A empresa usa o 737 especialmente em suas rotas europeias.

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Sob a sombra do Outono Alemão

Também faz parte da história da Boeing: em 1977, um modelo 737 batizado de "Landshut" foi sequestrado por quatro terroristas palestinos, que mataram o comandante. Mais tarde forças especiais alemãs libertaram os 86 passageiros e restante da tripulação. Depois do incidente, o avião continuou transportando passageiros da Lufthansa até ser vendido pela empresa em 1985, só sendo aposentado em 2008.

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Cockpit analógico

As aeronaves estão em constante evolução. Enquanto os primeiros pilotos e pilotas da Lufthansa ainda se sentavam atrás de instrumentos analógicos, a fabricante americana de aviões desenvolveu a tecnologia empregada no modelo de forma gradual. No início da década de 1980, pela primeira vez a Boeing alterou o 737 em grande escala, e a cabine de pilotos recebeu telas.

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Menos espaço para as pernas

O Boeing 737 mudou do ponto de vista dos passageiros: uma iluminação mais suave, bagageiros maiores e melhor ventilação tornaram as viagens aéreas mais agradáveis. No entanto, os passageiros da classe econômica passaram a ter menos espaço para as pernas, com a redução da distância entre os assentos.

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Consumo de combustível deve ser baixo

Atualmente não são apenas os passageiros que devem caber em maior número dentro do avião. O consumo de combustível também deve ser baixo. Dada a baixa altura da aeronave, os motores do 737 foram concebidos pela Boeing com um achatamento na sua parte inferior, e se diferenciam do aspecto redondo das turbinas de outros modelos.

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Popular entre as empresas de baixo custo

Com um total de 13.824 encomendas (até fevereiro de 2017), o 737 é atualmente o avião de passageiros mais vendido na história da aviação. Particularmente as companhias aéreas de baixo custo, cujas frotas muitas vezes consistem de só um modelo de aeronave, compram dezenas de unidades de uma só vez.

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O Airbus A320 foi lançado no mercado no final da década de 1980, e também se tornou sucesso de vendas. No período de 30 anos, o modelo da fabricante europeia, com 13.061 encomendas (até fevereiro de 2017), não fica tão longe do recorde do Boeing 737.

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Após a Airbus anunciar a remodelação da família A320, a Boeing reformulou também o 737. O modelo 737 MAX transportará mais passageiros e consumirá menos combustível, e as primeiras aeronaves serão entregues em 2017, pontualmente para o 50º aniversário da aeronave.