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HistóriaAlemanha

Leilão arrecada milhares de euros com discursos de Hitler

23 de outubro de 2020

Anotações feitas pelo ditador nazista para discursos antes da Segunda Guerra incluem expressões como "o problema judeu". Representantes da comunidade judaica classificam venda de insensível.

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Hitler ao lado de membros do Partido Nazista durante discurso em 1945
Hitler ao lado de membros do Partido Nazista durante discurso em 1945Foto: picture-alliance/dpa/Keystone

Uma casa de leilões em Munique vendeu nesta sexta-feira (23/10) anotações feitas por Adolf Hitler para discursos que proferiu antes da Segunda Guerra Mundial. O leilão foi realizado apesar de críticas de representantes da comunidade judaica.

Os manuscritos foram adquiridos por compradores anônimos, todos eles por um valor bem mais alto que o inicial. O valor total arrecadado soma quase 190 mil euros (R$ 1,2 milhão).

O valor mais alto, de 34 mil euros (R$ 226 mil) foi alcançado por um documento de nove páginas com anotações para um discurso para militares novatos em Berlim, em 1939, apenas oito meses antes do início da Segunda Guerra. O manuscrito inclui a expressão "o problema judeu".

Outros seis documentos escritos à mão por Hitler foram arrematados por valores entre 12.500 e 32 mil euros (R$83 mil e R$ 212 mil)

Além das anotações feitas por Hitler, a coleção levada a leilão inclui itens do serviço de chá pessoal de Hitler e várias edições de seu livro Minha luta, tanto da biblioteca pessoal do ditador quanto com dedicatórias escritas por ele.

Temores quanto a neonazismo

A casa de leilões Hermann Historica defendeu a venda em entrevista à agência de notícias Associated Press, afirmando que as anotações têm significado histórico e deveriam ser mantidas num museu ou entregues a pesquisadores.

"Extremistas de direita neonazistas não precisam dessas coisas. Eles ficam satisfeitos com cópias, cópias baratas. Ninguém gastaria essa quantia para criar um altar privado com memorabilia de Hitler", afirmou Bernhard Pacher, gerente da casa de leilões.

Antes do leilão, representantes da comunidade judaica criticaram a venda dos documentos com o argumento de que eles poderiam ser usados por neonazistas num momento em que o antissemitismo e crimes antissemitas estão em alta na Alemanha e na Europa.

O rabino Menachem Margolin, chefe da Associação Judaica Europeia, com sede em Bruxelas, classificou de um ato de "irresponsabilidade e insensibilidade" leiloar "itens como as divagações do maior assassino de judeus do mundo". "O que leilões como este fazem é ajudar a legitimar os entusiastas de Hitler", disse.

Em novembro do ano passado, um leilão de parafernália nazista – incluindo uma cartola usada por Hitler e uma edição de luxo com moldura prateada de seu livro Minha luta – também foi alvo de críticas na Alemanha. Apesar de ser legal no país, a venda desse tipo de item costuma levantar acusações de culto ao nazismo.

Após adquirir os itens no controverso leilão, o empresário de origem libanesa Abdallah Chatila acabou doando os objetos ao Memorial do Holocausto Yad Vashem, em Israel. O comprador disse que arrematou a parafernália para evitar que "caísse em mãos erradas".

LPF/dw/ap/rtr/efe