Luxuoso restaurante bane populistas de direita em Berlim

"Não queremos servir a políticos que discriminam pessoas", afirma restaurante ao negar pedido de reserva feito por membros da AfD. Legenda classifica recusa de antidemocrática.

"Não queremos servir a políticos e seus assessores que discriminam e menosprezam pessoas devido a sua origem, religião, posição política ou cor da pele", diz um e-mail enviado pelo restaurante berlinense Bocca di Bacco negando o pedido de reserva feito por integrantes do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

História | 06.05.2019

A recusa da reserva causou indignação entre os membros da legenda. O porta-voz da bancada da AfD no Bundestag (Parlamento alemão), Christian Lüth, fez questão de publicar uma cópia do e-mail nas redes sociais e classificou a decisão de "antidemocrática e burra".

Entres os participantes do jantar negado estariam algumas das principais lideranças do partido, como seus chefes Jörg Meuthen e Alexander Gauland, além da copresidente da bancada da legenda no Bundestag Alice Weidel.

A AfD é conhecida por posições anti-imigração, anti-islâmicas e muitas vezes racistas. Gauland, por exemplo, já deu várias declarações nesse sentido, dizendo que a Alemanha deveria ter orgulho dos soldados nazistas ou afirmando que as pessoas não gostariam de ser vizinhas do jogador de futebol Jérôme Boateng. Weidel também costuma usar argumentos discriminatórios em seus discursos no Parlamento.

Sociedade | 07.08.2018

Esta não foi a primeira mesa negada à AfD pelo restaurante berlinense. Um local privado tem todo o direito de aceitar ou não uma reserva, e em Berlim, é bastante comum em alguns clubes noturnos, principalmente no famoso Berghain, um controle na fila de quem pode ou não entrar na balada.

Essa seleção, nada natural, já se tornou inclusive uma tradição na cidade, e nunca vi ninguém fazendo drama público por ter sido barrado na balada ou questionando a legalidade da ação – cujos métodos de escolha são bem obscuros, parecendo depender se o segurança na porta gostou ou não do rosto do freguês.

Assim, ser barrado é algo bem normal em Berlim, mas os políticos da AfD parecem nunca ter ouvido falar dessa tradição e, indignados, resolveram fazer um alarde nas redes sociais. O burburinho levou alguns simpatizantes da legenda a sugerir o boicote ao restaurante de luxo e o classificar de ruim.

Comentários em apoio aos políticos alegavam que eles estavam sendo discriminados. Matérias na imprensa local questionaram a legalidade da recusa, mas, pela lei, como o local é privado, o dono pode receber quem quiser.

Localizado numa das ruas mais nobres de Berlim, a Friedrichstrasse, o Bocca di Bacco costuma ser frequentado por estrelas internacionais, como George Clooney, Matt Damon e Penélope Cruz. Durante alguns dias, o dono do local se manteve em silêncio sobre a polêmica. Até que resolveu falar à imprensa local.

Em entrevistas, Alessandro Mannozzi disse que, apesar de a AfD ter sido eleita democraticamente, ele acredita que o palco não deve ser oferecido à legenda. Sobre a recusa, Mannozzi argumentou que recebe clientes do mundo todo e de várias religiões e tem funcionários de dez países do mundo. A presença de políticos de um partido abertamente xenófobo poderia gerar constrangimentos. Mannozzi destacou ainda que seu restaurante é cosmopolita e defende os princípios da tolerância e aceitação e, por isso, não deseja clientes sem essa postura.

Assuntos relacionados

O Bocca di Bacco não foi o único restaurante que negou reservas a políticos da AfD. Em Munique, houve recentemente um caso semelhante. Mais uma vez, por se tratar de um local privado, o dono faz o que quiser. Se esse princípio for questionado, o debate precisa então ser ampliado a todos os espaços que fazem seleção de clientes, sejam os barrados membros ou não de partidos políticos.

Clarissa Neher é jornalista da DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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A Rota do Muro de Berlim

160 km de história

Durante 28 anos, até 1989, o Muro dividiu Berlim em Ocidental e Oriental. Hoje, há cada vez menos resquícios da divisão. A rota do Muro de Berlim tem 160 quilômetros, que podem ser seguidos a pé ou de bicicleta.Testemunhos daquele tempo e muita informação contam a história do Muro.

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Memorial do Muro

O passeio pode ser iniciado em qualquer ponto da rota. Uma sugestão é começar no Memorial do Muro de Berlim, seguindo por 1,4 km a rua Bernauer Strasse, ao longo da qual ficava o Muro. Ela mostra a arquitetura assassina da antiga fronteira e lembra as pessoas que perderam a vida tentando fugir de Berlim Oriental.

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Pedras redesenham percurso do Muro

Uma fileira dupla de quase seis quilômetros de paralelepídedos ajuda a imaginar onde passava o Muro. Mas qual era o lado ocidental? De trecho em trecho, há uma placa em bronze com a informação: "Muro de Berlim 1961-1989". Isso só pode ser lido por quem está no antigo lado ocidental.

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De símbolo da divisão a marco da unidade

Seguindo em direção ao centro, chega-se aos prédios do governo federal, ao longo do rio Spree, e à praça Pariser Platz, onde fica o Portão de Brandemburgo, que havia sido isolado pelo Muro. Ele não podia ser acessado nem por Berlim Ocidental, nem pela Oriental. De símbolo da divisão, ele virou símbolo da unidade, após a queda do Muro.

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Checkpoint Charlie

A mais famosa das antigas passagens entre os dois lados da Berlim dividida é Checkpoint Charlie. No local, não há mais nada de original, até o ponto de controle é uma réplica do ano 2000, cercada por lojas de souvenirs baratos. Mesmo assim, o local está sempre cheio de turistas. O auge da comercialização da História são homens vestidos de soldados alemães-orientais que cobram para posar em fotos.

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As torres de vigilância

Do lado alemão-oriental, havia mais de 300 torres de vigilância. Ali, com as mãos no gatilho, os soldados da então Alemanha Oriental vigiavam a faixa de fronteira 24 horas por dia. Apenas três dessas torres ainda existem e todas estão protegidas como patrimônio histórico. Esta da foto fica quase escondida numa rua lateral à praça Potsdamer Platz.

A Rota do Muro de Berlim

East Side Gallery, arte ao ar livre

A rota também passa pelo trecho mais longo do Muro ainda de pé. O lado ocidental do símbolo da divisão alemã sempre foi conhecido pelos seus grafites coloridos. Já o lado oriental era cinza. Artistas internacionais mudaram isso em 1990. Eles pintaram um trecho dele de 1,3 km no bairro Berlin-Friedrichshain, criando assim a mais longa galeria de arte ao ar livre.

A Rota do Muro de Berlim

Trocas de espiões na ponte de Glienicke

A maior parte da rota do Muro se estende por 110 km ao longo da fronteira do perímetro urbano de Berlim. Um ponto de destaque neste trajeto é a ponte de Glienicke, palco de espetaculares trocas de espiões durante a Guerra Fria e cenário de filmes como "Ponte dos Espiões", de Steven Spielberg, com Tom Hanks.

A Rota do Muro de Berlim

Museu na torre de fronteira

Trechos da rota margeiam rios, atravessam bosques e campos. O meio ambiente em volta de Berlim testemunhou muitas tentativas arriscadas de fuga. O Muro dividiu famílias e vilarejos, como Hennigsdorf, a 20 km de Berlim. Um museu na torre de fronteira conta como era a vida com o Muro.

A Rota do Muro de Berlim

Cerejeiras, presente japonês

Milhares de cerejeiras colorem trajetos da Rota do Muro. Elas foram doadas por japoneses, para representar a alegria pela Reunificação. A cada primavera, elas transformam estas áreas em um mar cor-de-rosa. Como embaixo da ponte Bösebrücke, no bairro Pankow. Ela foi o primeiro posto de fronteira a abrir na noite da queda do Muro, em 9 de novembro de 1989.

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