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Condenados líderes de protestos pró-democracia em Hong Kong

9 de abril de 2019

Nove ativistas da Revolução dos Guarda-Chuvas, de 2014, são considerados culpados de acusações de perturbação da ordem pública. Foi o maior movimento de desobediência civil da história do território.

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Benny Tai, Chan Kin-man e Chu Yiu-ming, líderes da Revolução dos Guarda-Chuvas em Hong Kong
Benny Tai, Chan Kin-man e Chu Yiu-ming pouco antes de se apresentarem ao tribunalFoto: picture-alliance/AP Photo/K. Cheung

Nove líderes da Revolução dos Guarda-Chuvas, o maior movimento de desobediência civil na história de Hong Kong, foram considerados culpados nesta terça-feira (09/04) por acusações de perturbação da ordem pública e estão sujeitos a penas de até sete anos de prisão por cada acusação. As penas ainda não foram determinadas.

Entre os condenados estão três ativistas famosos, fundadores do movimento Occupy Central: Chan Kin-man, de 59 anos, professor de Sociologia; Benny Tai, de 54, professor de Direito; e Chu Yiu-ming, de 74 anos, pastor da Igreja Batista em Hong Kong. Eles foram considerados culpados de conspiração para perturbar a ordem pública, de incitar à rebelião por meio da obstrução ilegal de lugares públicos e de incitar e mobilizar manifestantes para perturbar a ordem pública.

Os deputados Tanya Chan e Shiu Ka-chun, os ex-líderes estudantis Tommy Cheung Sau-yin e Eason Chung Yiu-wa e o vice-presidente da Liga dos Sociais-Democratas, Raphael Wong Ho-ming, foram considerados culpados de incitação para cometer distúrbios sociais. O ex-deputado democrata Lee Wing-tat foi considerado culpado de uma acusação de incitação ao distúrbio social.

Entre 28 de setembro e 15 de dezembro de 2014, o Occupy Central, com o apoio de movimentos sociais e estudantis, paralisou quarteirões inteiros da antiga colônia britânica para exigir o sufrágio universal na escolha do chefe do executivo de Hong Kong, sem interferências do governo em Pequim.

Mas as autoridades chinesas não cederam aos apelos dos participantes. A polícia usou gás lacrimogêneo para reprimir os protestos, e os manifestantes, muitos deles estudantes, se protegeram usando guarda-chuvas, que se tornaram o símbolo das manifestações. Chan, Tai e Chu renderam-se à polícia após 79 dias de protestos, dando fim ao movimento Occupy Central.

Em 2014, manifestantes se defendiam de gás lacrimogêneo com guarda-chuvas em Hong Kong
Em 2014, manifestantes se defendiam do gás lacrimogêneo com guarda-chuvas, que se tornaram o símbolo do movimentoFoto: Reuters/T. Siu

Nesta terça-feira, antes de entrar no tribunal, Tai se declarou tranquilo e disse que ver centenas de apoiadores reunidos do lado de fora carregando guarda-chuvas amarelos o deixava animado, segundo um jornal local. "Não importa o que aconteça, confio que muitos de nós continuaremos lutando pela democracia, persistiremos, não nos renderemos", afirmou.

A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) disse que o veredito envia uma mensagem "terrível", porque "encorajará o governo de Hong Kong a processar mais ativistas pacíficos, o que restringirá ainda mais a liberdade de expressão" no território.

A Anistia Internacional condenou a decisão e afirmou que o processo judicial é um ataque às liberdades civis que "elevará as tensões políticas" na região.

O Ministério das Relações Exteriores da China expressou apoio às autoridades de Hong Kong para punir os organizadores de acordo com a lei.

Segundo a HRW, cerca de 200 manifestantes foram processados até agora por participação no movimento, e dezenas foram condenados por várias acusações, incluindo reunião ilegal, posse de armas e agressão comum. Vários cumprem penas de prisão. Alguns foram proibidos de concorrer a eleições, e outros foram desqualificados do Conselho Legislativo de Hong Kong. 

Em entrevista à DW, o proeminente ativista de Hong Kong Joshua Wong condenou o veredito no caso dos líderes da Revolução dos Guarda-Chuvas e afirmou que o movimento pró-democracia do país está pronto para uma longa batalha, apesar de perseguições e prisões. Ele criticou as políticas linha-dura impostas por Pequim e pediu mais apoio de governos estrangeiros.

Recentemente, o cancelamento de eventos literários e artísticos e a recusa em permitir a entrada de um jornalista do Financial Times em Hong Kong reacenderam a preocupação com a liberdade de expressão no território, que é uma região administrativa especial da China.

Em 1997, na transferência de soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China, foi prometida uma semiautonomia durante 50 anos, que permitiria manter os direitos de reunião e liberdade de expressão no território.

LE/efe/lusa/ap/ina

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