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Cidades & Roteiros

Flávia Magalhães27 de janeiro de 2007

A segunda maior cidade de Baden-Württemberg comemora em 2007 os 400 anos de sua fundação. Além de muitos eventos culturais, uma série de pontos turísticos da cidade tornam a visita a Mannheim uma agradável surpresa.

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Wasserturm, cartão postal da cidadeFoto: picture-alliance/dpa

Mannheim não costuma constar em guias turísticos da Alemanha, mas é geralmente lembrada pelo seu importante papel na economia do Estado de Baden-Württemberg. No entanto, uma volta pelo centro revela peculiaridades da história nacional, em meio à atmosfera de uma cidade "grande" para os padrões alemães – 320 mil habitantes.

Berço de importantes firmas, a cidade abriga atualmente inúmeras indústrias. Marcada por uma forte imigração, ela se orgulha de ter promovido uma boa integração dos trabalhadores estrangeiros. Um centro histórico, comum na maioria das cidades alemãs, não existe em Mannheim. Em compensação, a arquitetura moderna lhe confere um ar cosmopolita.

Impossível se perder

N1. E5. O que mais parece jogo de batalha naval é, na verdade, o endereço do centro de Mannheim, a cidade dos quadrados (die Quadratestadt). Todo o centro foi planejado como um tabuleiro de xadrez. Cada quarteirão – ou quadrado – é identificado por uma letra e um número.

Mannheimer Schloss
Castelo de MannheimFoto: Foto-Schwarz-Werbestudio

Este traçado – único no país – facilita a orientação na área central. Achar uma loja ou um edifício se torna bem fácil, mesmo para quem acaba de chegar à cidade. Apesar de os números e as letras só terem sido introduzidos em 1811, a estrutura quadrangular e simétrica já fazia parte dos planos desde a época do príncipe eleitor Frederico 4º.

Cidade da Música

Durante a regência de Karl Theodor von der Pfalz (1724-1799), a corte foi um local de arte e ciência. Neste período, fundou-se a orquestra da cidade, que ganhou fama internacional. Os compositores da região criaram um estilo próprio e ficaram conhecidos como Escola de Mannheim, tida como precursora do Classicismo na história da música européia.

Mannheim sedia duas das mais importantes universidades de música da Alemanha: a Faculdade de Música e Artes Cênicas e a Pop Akademie, que se encarregam de manter viva a tradição clássica e incentivar novos talentos em jazz e música popular. Não é à toa que a cidade se vê como o berço do soul e tecno no país.

São inúmeros os shows e concertos durante todo o ano, muitos deles com entrada franca. Além de apresentações de artistas consagrados como Xavier Naidoo (da banda local Söhne Mannheims), os futuros talentos, recém-saídos das universidades, também se apresentam e agitam a vida noturna da cidade.

Seriedade através da curiosidade

Um estranho cubo de vidro em frente ao quadrado P2 atiça a curiosidade dos passantes. A escultura, erguida em 2003, relembra o sofrimento dos judeus durante o período do nacional-socialismo em Mannheim.

O texto do monumento é espelhado e só pode ser lido através da face oposta do cubo. A obra do escultor Jochen Kitzbihler foi escolhida em concurso nacional por ser a que mais se adequava a mostrar os nomes das vítimas em um local central como a Plancken, a avenida principal da área de pedestres de Mannheim.

Estudar em grande estilo

Mannheim
Vista aérea da cidade entre os dois riosFoto: Foto-Hauck-Werbestudios

Uma visita a Mannheim não pode ser completa sem passar pelo castelo da cidade, a maior construção barroca da Alemanha. Ele foi construído entre 1720 e 1760, sob as regências de Karl Philipp (1661-1742) e Karl Theodor (1724-1799), para mostrar a grandeza da corte e para chamar a atenção para os acontecimentos políticos da região.

Tendo sido praticamente todo destruído por bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial, sua reconstrução terminou em 1968. Para as festividades dos 400 anos da cidade, foi novamente restaurado. Algumas exposições já abertas ao público mostram um pouco da vida na corte nos séculos 17 e 18.

Atualmente, o castelo é utilizado como palco para eventos internacionais e para a recepção de convidados ilustres. Além disso, grande parte do edifício é utilizada pela Universidade de Mannheim e seus mais de 13 mil estudantes.

A universidade vem se firmando como uma das melhores do país nas áreas de Economia e Direito. As salas de aula, bibliotecas e cafés se espalham pelas alas dos 440 metros da construção, garantindo um certo ar aristocrático ao ambiente acadêmico.

Mannheim tem dez instituições de ensino superior. Importantes são também as faculdades de Design e Moda. Quem puder passar mais tempo na cidade, deve conferir as exposições nas inúmeras galerias dos artistas locais.

Wasserturm

O símbolo da cidade é um monumento de 60 metros de altura, em formas romanas. No topo, uma estatua de Anfitrite, a esposa de Poseidon, o deus das águas. Apontando para a confluência dos rios Neckar e Reno, a torre se impõe sobre o segundo maior porto fluvial europeu.

No verão, a praça ao redor da torre é um freqüentado ponto de encontro, seja para passear ou para curtir o sol. No inverno, um movimentado mercado de Natal assegura boas compras e bom-humor, regados ao bom vinho quente ou quentão.

Marktplatz von Mannheim
Praça do mercadoFoto: Foto-Hauck-Werbestudios

Oásis de tranqüilidade

Mannheim é um importante centro econômico do Estado de Baden-Württemberg, com forte presença das indústrias metalúrgica e química. Mas apesar de todo o concreto dos prédios modernos, dois grandes parques reservam momentos de calma e tranqüilidade em meio ao agitado dia-a-dia: Herzogenriedpark e Luisenpark. Com áreas para churrasco e prática de esporte, o Luisenpark ainda possui uma casa de chá no mais puro estilo chinês, a maior em todo o país.

Uma visita à nova praça Alte Messe garante uma bela vista do Neckar. No verão, os inúmeros bares e cafés ficam lotados. Nada melhor do que curtir o sol às margens do rio. Vale a pena conferir também o antigo prédio do Corpo de Bombeiros (Alte Feuerwache), que se tornou um centro cultural importante na região.

Passeios de barco pelo Reno e Neckar também são oferecidos de março a outubro. Os destinos são os mais variados: pela região mesmo ou, quem sabe, até Amsterdã.

Alla tchuss!

O dialeto local pode ser agrupado àqueles do Estado (vizinho) da Renânia-Palatinado, mas a fala dos antigos moradores do centro é única, também conhecida como Mannemerische.

A palavra mais típica do dialeto da cidade é alla, que não falta em nenhuma frase e possui uma série de significados, como "então" a "claro" e "bem". A influência francesa sob o vocabulário também é marcante. Por exemplo, se alguém quiser a uma loja, deve perguntar por uma Buddig (boutique).

Se a visita a Mannheim não for suficiente, outras atrações aguardam os mais curiosos e aventureiros. A floresta Odenwald e o Estado da Renânia-Palatinado reservam belas paisagens e guardam importantes áreas turísticas alemãs, como a Rota do Vinho (Weinstrasse) e a Rota Romântica (Romantische Strasse).