May acena com segundo referendo sobre o Brexit

Premiê diz que dará a deputados a possibilidade de decidirem se haverá segundo referendo sobre o Brexit caso eles aprovem o acordo de saída do Reino Unido da UE que ela lhes apresentar.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta terça-feira (21/05) que pedirá ao Parlamento que decida se haverá um segundo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Ela disse que incluirá no projeto do acordo de saída um requerimento para que os parlamentares decidam se haverá ou não um segundo referendo, uma exigência central de muitos deputados oposicionistas.

Ela própria disse ser contra um segundo referendo, mas que percebe "sentimentos genuínos e sinceros" dentro do Parlamento nesse sentido.

O Parlamento já rejeitou três vezes o acordo negociado por ela com Bruxelas. O "novo acordo" apresentado por May inclui uma união aduaneira temporária com a UE, até as próximas eleições gerais no Reino Unido, assim como garantias para manter os direitos trabalhistas e os padrões ambientais da UE.

Segundo a premiê, se trata de uma última chance para que o Brexit ocorra de forma ordenada. Ela argumentou que quem votar contra a sua proposta de acordo votará, na prática, contra o Brexit.

Com a concessão, May espera conquistar os votos da oposição para aprovar a medida, que encontra resistência dentro do seu partido. O principal impasse é a união aduaneira temporária com a Europa, rejeitada por parte de conservadores pró-Brexit. 

Um segundo referendo é a principal demanda dos parlamentares trabalhistas, que são contra a saída do bloco. Ao voltar atrás sobre a questão para conquistar a oposição, May pode estar contando com o fato de que uma nova votação popular precisa do aval dos parlamentares, que podem barrar essa opção.

Após o anúncio da premiê, alguns parlamentares conservadores se posicionaram contra a proposta. Simon Clarke, que havia apoiado o acordo na terceira votação no Parlamento, disse que a concessão de May era "ultrajante" e afirmou que votará contra a medida.

O Partido Trabalhista também rejeitou a proposta. "Não podemos apoiar esse acordo que é basicamente uma repetição do que foi discutido antes", afirmou o líder da legenda, Jeremy Corbyn.

O Reino Unido deveria ter deixado a UE em 29 de março, mas o prazo foi ampliado para 31 de outubro devido ao impasse político no país, cujo Parlamento não consegue aprovar o acordo de saída negociado por May em Bruxelas. A próxima votação do acordo deve ocorrer no início de junho.

Sem a aprovação do acordo, o Reino Unido deverá deixar o bloco abruptamente em 31 de outubro. Há temores que uma saída desordenada possa levar a uma desaceleração econômica e comprometer o fornecimento de suprimentos médicos e alimentares devido à introdução de controles de fronteira e tarifas de um dia para o outro. 

AS/CN/rtr/ap/efe

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Com Brexit, vila alemã vira centro da União Europeia

Bem-vindo a Gadheim, o futuro centro da UE

As poucas casas de Gadheim estão localizadas nas colinas de uma região vitivinícola da Baviera, agrupadas ao longo de uma estrada que serpenteia campos dominados por turbinas eólicas.

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Típica vila bávara

Os habitantes de Gadheim estão orgulhosos de que suas casas, vinhas, campos infinitos e o sinuoso rio Meno estejam no foco das atenções.

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Gadheim, centro da Europa?

"A maioria aqui ouviu a notícia no rádio", disse Jürgen Götz, prefeito de Veitshöchheim, que fica nas proximidades. A vila de Gadheim é muito pequena e por isso não tem prefeito. "Inicialmente pensamos tratar-se de uma piada", disse Götz. Na foto, Götz com a bandeira da União Europeia e com a agricultora Karin Kessler, que custa a acreditar que sua localidade ficou famosa da noite para o dia.

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Um campo é o centro geográfico da UE

Inicialmente ela pensou que a localização exata atingiria o terreno do vizinho, mas o filho dela enviou-lhe uma mensagem com o mapa e as coordenadas exatas: o novo centro geográfico da UE será no meio de um campo de colza dela. "O fato de que isso só esteja acontecendo por causa desse Brexit eu considero uma vergonha", disse ela.

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Outra localidade lamenta

Já Westerngrund, a cerca de 60 quilômetros a noroeste de Gadheim, perderá o título de centro da UE, adquirido em 2013 quando a Croácia ingressou no bloco. Escolares da vila verificaram que cerca de 6 mil pessoas de 93 países assinaram o livro de visitantes guardado no local exato onde é o centro geográfico até o momento.

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Turistas não tão entusiasmados

Várias bandeiras alemãs e da União Europeia marcam o local que ainda é o centro da UE. "Nós contávamos com ônibus chineses nos visitando todas as semanas. Na realidade, isso não aconteceu", disse Christoph Biebrich, o padeiro de Westerngrund, que criou pães em forma de anel com um buraco, que representa o umbigo da UE, cercado de estrelas.

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Até a próxima mudança na União Europeia

Fica o conselho do padeiro Biebrich para o povo de Gadheim: "Não se apeguem ao seu lugar ao sol. Isso logo vai mudar". Tanto os moradores de Westerngrund quanto os de Gadheim esperam que a próxima vez que o centro da UE se mover seja por causa de um novo membro, e não por causa de uma saída.

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