Milhares de independentistas catalães protestam em Bruxelas

Polícia belga estima que 45 mil pessoas, muitas vindas da Espanha, participaram de protesto para pressionar governo europeu sobre crise na Catalunha. "Não somos criminosos, somos democratas", diz Puigdemont em discurso.

Dezenas de milhares de manifestantes favoráveis à independência da Catalunha foram às ruas em Bruxelas nesta quinta-feira (07/12) em apoio ao ex-presidente do governo regional catalão Carles Puigdemont. A polícia da Bélgica estima que 45 mil pessoas participaram do protesto.

Em marcha que passou pela sede da União Europeia (UE), manifestantes erguiam milhares de bandeiras da Catalunha, além de cartazes com o slogan "Acorda, Europa!", em crítica às autoridades em Bruxelas por não pressionarem o governo em Madri diante da crise na Catalunha.

Um dos cartazes trazia uma foto do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, com a pergunta: "Democracia? Alguns a defendem quando isso lhes convém. Que vergonha".

Belgien pro-katalanische Demo in Brüssel

Manifestantes concentrados no Parque do Cinquentenário, próximo à sede do governo europeu

O protesto na capital belga foi organizado por duas associações independentistas catalãs, que estimavam a presença de cerca de 20 mil pessoas – menos da metade das que de fato comparecerem, segundo números policiais. Muitos manifestantes partiram da Espanha, de avião ou carro.

"A UE deveria nos ajudar, porque somos cidadãos europeus", afirmou um manifestante que viajou de Barcelona a Bruxelas para participar do ato. "Queremos ser livres", acrescentou outro jovem, que estava acompanhado de toda sua família.

Puigdemont, que fugiu semanas atrás para Bruxelas, também participou da manifestação, onde fez um discurso primeiramente em catalão e depois em francês para se dirigir a Juncker.

"Existe algum lugar no mundo que realize manifestações como essa em apoio a criminosos?", questionou o ex-presidente do governo catalão. "Então talvez não sejamos criminosos. Talvez sejamos democratas", acrescentou ele, em referência aos líderes separatistas.

"Queremos uma Europa de cidadãos livres, uma que escute seus cidadãos, além de escutar os Estados", afirmou Puigdemont ao fim da manifestação, reiterando que reprova o apoio da UE ao presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy.

Brüssel Demonstration für unabhängiges Katalonien

Ao centro, o ex-presidente do governo regional catalão Carles Puigdemont

Puigdemont e quatro ex-conselheiros de seu gabinete se instalaram na capital belga há várias semanas, depois que a Justiça espanhola passou a agir contra ex-membros do Executivo autônomo catalão, destituído por Madri em 27 de outubro por impulsionar um processo independentista.

Na terça-feira (05/12), um juiz do Tribunal Supremo da Espanha decidiu retirar as ordens europeias de detenção contra Puigdemont e os quatro ex-conselheiros.

Assuntos relacionados

A ordem nacional de detenção, no entanto, segue vigente. Assim, no momento em que o ex-presidente e seus funcionários retornarem ao território espanhol, eles serão detidos nas mesmas condições que os outros acusados pelo processo separatista.

Puigdemont lidera agora a candidatura da coalizão Junts per Catalunya nas eleições autônomas que acontecerão no próximo dia 21 de dezembro na região. Em Bruxelas, ele chamou os presentes a se pronunciarem nas urnas "pela liberdade e a dignidade".

EK/afp/ap/dpa/efe/lusa

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Antiguidade rica

A Catalunha foi habitada por fenícios, etruscos e gregos, que estiveram nas áreas costeiras de Rosas e Ampúrias (acima). Depois vieram os romanos, que construíram mais assentamentos e infraestrutura. A Catalunha foi uma parte do Império Romano até ser conquistada pelos visigodos, no século 5.

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Condados e independência

A Catalunha foi conquistada pelos árabes no ano 711. O rei franco Carlos Magno interrompeu o avanço deles em Tours, no rio Loire, e em 759 o norte da Catalunha se tornou novamente cristão. Em 1137, os condados que compunham a Catalunha iniciaram uma aliança com a Coroa de Aragão.

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Guerra e perda de território

No século 13, as instituições de autoadministração catalã foram criadas sob o nome Generalitat de Catalunya. Depois da unificação da Coroa de Aragão com a de Castela, em 1476, Aragão pôde manter suas instituições autônomas. No entanto, a revolta catalã – de 1640 a 1659 – fez com que partes da Catalunha fossem cedidas à atual França.

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Lembrando a derrota

No final da Guerra da Sucessão, Barcelona foi tomada, em 11 de setembro de 1714, pelo rei espanhol Felipe 5°, as instâncias catalãs foram dissolvidas e a autoadministração chegou ao fim. Todos os anos, em 11 de setembro, os catalães fazem uma grande comemoração para lembrar o fim do seu direito à autonomia.

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República passageira

Após a abdicação do rei Amadeo 1°, da Espanha, a primeira república espanhola foi declarada em fevereiro de 1873. Ela durou apenas um ano. Os partidários da república estavam divididos, com um grupo apoiando uma república centralizada e outros, um sistema federal. A foto mostra Francisco Pi y Maragall, um partidário do federalismo e um dos cinco presidentes da república de curta duração.

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Tentativa fracassada

A Catalunha tentou estabelecer um novo Estado dentro da república espanhola, mas isso apenas exacerbou as diferenças entre os republicanos e os enfraqueceu. Em 1874, a monarquia e a Casa de Bourbon, liderada pelo rei Afonso 12 (foto), retomaram o poder.

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Direitos de autonomia

Entre 1923 e 1930, o general Primo de Rivera liderou uma ditadura – com o apoio da monarquia, do Exército e da Igreja. A Catalunha se tornou um centro de oposição e resistência. Após o fim do regime, o político Francesc Macia (foto) conseguiu impor direitos importantes de autonomia para a Catalunha.

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Fim da liberdade

Na Segunda República Espanhola, os legisladores catalães trabalharam no Estatuto de Autonomia da Catalunha, aprovado pelo Parlamento espanhol em 1932. Francesc Macia foi eleito presidente da Generalitat de Catalunha pelo Parlamento catalão. No entanto, a vitória de Franco no fim da Guerra Civil Espanhola (1936 a 1939) acabou com tudo isso.

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Opressão

O ditador Francisco Franco governou com mão de ferro. Partidos políticos foram proibidos, e a língua e a cultura catalãs, reprimidas.

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Novo estatuto de autonomia

Após as primeiras eleições parlamentares que se seguiram ao fim da ditadura de Franco, a Generalitat da Catalunha foi provisoriamente restaurada. Sob a Constituição democrática espanhola de 1978, a Catalunha recebeu um novo estatuto de autonomia, apenas um ano depois.

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Reconhecimento da importância da língua

O novo estatuto de autonomia reconheceu a autonomia da Catalunha e a importância da língua catalã. Em comparação com o estatuto de 1932, ele apresentou avanços nos campos da cultura e educação, mas restrições no âmbito da Justiça. A foto é de Jordi Pujol, que foi por longo tempo chefe de governo da Catalunha depois da ditadura.

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Anseio por independência

O desejo por independência da Espanha se tornou mais forte nos últimos anos. Em 2006, a Catalunha recebeu um novo estatuto, que ampliou ainda mais os poderes do governo catalão. No entanto, eles são perdidos após uma queixa levada pelo conservador Partido Popular ao Tribunal Constitucional espanhol.

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Primeiro referendo

Um referendo sobre a independência estava previsto para 9 de novembro de 2014. A primeira questão era "você quer que a Catalunha se torne um Estado?" No caso de uma resposta afirmativa, a segunda pergunta era "você quer que esse Estado seja independente?" No entanto, o Tribunal Constitucional suspendeu a votação.

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Luta de titãs

Desde janeiro de 2016, Carles Puigdemont é o presidente do governo catalão. Ele deu continuidade ao curso separatista de seu antecessor, Artur Mas, e convocou um novo referendo para 1° de outubro de 2017. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, disse que a consulta é inconstitucional.