Morre na Alemanha ex-guarda nazista extraditado dos EUA

Deportado para a Alemanha no ano passado, Jakiv Palij, de 95 anos, viveu por mais de quatro décadas nos Estados Unidos sem ser descoberto. Ele foi guarda no campo de concentração nazista de Trawniki.

O ex-guarda de campo de concentração Jakiv Palij, que foi deportado dos Estados Unidos em agosto do ano passado, morreu aos 95 anos num asilo de idosos em Ahlen, na Alemanha. Ele foi o último criminoso de guerra nazista investigado nos EUA.

Segundo noticiou nesta quinta-feira (10/01) o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, Palij faleceu na quarta-feira.

Palij viveu por décadas nos EUA, primeiramente como desenhista, depois como aposentado, até que, 25 anos atrás, uma investigação pela primeira vez o confrontou com seu papel na Segunda Guerra.

Em 1993, quando os investigadores do Departamento de Justiça bateram em sua porta em Nova York, ele admitiu ter entrado nos EUA com uma mentira: a de que passou a guerra trabalhando como agricultor e como operário numa fábrica.

"Eu nunca teria recebido um visto se tivesse contado a verdade. Tudo mundo mentiu", contou aos oficiais na ocasião, sobre sua chegada aos EUA.

Sua presença nos Estados Unidos foi denunciada por um antigo colega de campo de concentração, após investigadores americanos encontrarem seu nome numa antiga escala de serviço nazista. 

Heinrich Himmler cumprimenta recém-recrutados no campo de Trawniki, em 1942

Nascido em 1923 numa região que na época era leste da Polônia e hoje faz parte da Ucrânia, Palij entrou nos EUA em 1949, por Boston. Anos depois, conseguiu a cidadania americana.

A cidadania foi revogada em 2003 por um juiz americano, sob a justificativa de que ele "participou de atos contra civis judeus" como guarda do campo de concentração nazista de Trawniki, na Polônia ocupada.

Foi em Trawniki, em 3 de novembro de 1943, que seis mil homens, mulheres e crianças judias foram mortos a tiros, num dos maiores massacres do Holocausto.

Desde 2004, os Estados Unidos tentavam deportá-lo. Mas como Alemanha, Polônia e Ucrânia se recusavam a recebê-lo, ele continuou a viver tranquilamente, numa espécie de limbo, em sua casa no bairro do Queens ao lado da mulher, Maria, de 86 anos.

Sua presença gerou indignação entre a comunidade judaica e atraiu frequentes protestos ao longo dos anos diante de sua casa.

A Justiça alemã sustentava que só aceita ex-criminosos nazistas que possuam ou tenham possuído cidadania alemã ou enfrentem um processo no país. Palij não se enquadrava em nenhum dos dois casos: nunca teve a cidadania alemã e a última investigação aberta contra ele, pela promotoria de Würzburg, não encontrou provas suficientes para indiciá-lo.

CN/epd/ap/ots

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A vida de crianças num campo de concentração

Sem entregar a vida ao esquecimento

O campo nazista de Bergen-Belsen abrigou um número excepcionalmente alto de crianças durante seu funcionamento, entre 1943 e 1945. As experiências traumáticas são descritas na exposição "Crianças no Campo de Concentração de Bergen-Belsen". Algumas nunca conseguiram falar sobre o horror sofrido. Outras relataram por escrito suas experiências para a posteridade.

A vida de crianças num campo de concentração

Cara a cara com o passado

O que os visitantes pensam ao ver o retrato de um sobrevivente? Se eles também aprenderam a fazer contas contando cadáveres? Se também brincavam de adivinhar que era o próximo a morrer no barracão? O que parece macabro era apenas a triste realidade das crianças prisioneiras do lugar.

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Sobrevivente e sua companheira

Lous Steenhuis tinha três anos quando chegou a Bergen-Belsen, vinda do campo de concentração de Westenbork e levando sua boneca, Mies. A garotinha, da cidade de Bussum, na Holanda, estava sozinha, sem pais, família ou conhecidos.

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Inseparáveis

Hoje, Lous Steenhuis-Hoepelman tem 76 anos. E ainda guarda contigo sua antiga companheira de campo de concentração. Ela não acha que Mies seja uma boneca bonita. Mas, sem dúvida, o brinquedo a ajudou a suportar os traumas da época.

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A vítima mais famosa

Anne Frank morreu em fevereiro de 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen, aos 15 anos de idade. A alemã emigrou para a Holanda, com seus pais judeus. Quando os nazistas invadiram o país, Anne teve que viver em um esconderijo junto com a família. Mas eles foram denunciados. Os textos da menina são um importante documento histórico daquela época.

A vida de crianças num campo de concentração

Testemunhas silenciosas

O número total de prisioneiros que estiveram em Bergen-Belsen é estimado em até 120 mil. Tropas britânicas encontraram cerca de 60 mil presos. Quase um quarto deles morreu depois da libertação. Cerca de 50 mil prisioneiros morreram no lugar, incluindo por volta de 600 crianças. As valas comuns no campo de concentração são testemunhas silenciosas da crueldade do domínio nazista.

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