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Programa nuclear

Dirk Eckert (rw)30 de junho de 2008

Conflito sobre programa nuclear do Irã se agrava. Teerã desafia o mundo ocidental e ignora críticas da comunidade internacional. Mas enriquecer urânio não viola direito internacional, diz alemão ex-diplomata da ONU.

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Técnico iraniano com material bélico junto à linha de produção em TeerãFoto: AP

DW-WORLD.DE: O Irã insiste no enriquecimento de urânio. E agora?

Hans von Sponeck: O Irã sempre lembra a comunidade internacional de que padrões duplos de moral não são aceitáveis. No tocante à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o enriquecimento de urânio não é nada proibido. O Protocolo Adicional [do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)] sugere que o Irã e outros países façam o possível para evitar o enriquecimento. Mas se o fizerem, mesmo assim não estarão violando o direito internacional.

Mas talvez o Irã queira construir armas nucleares...

Hans von Sponeck
Hans-Christof von Sponeck foi diplomata das Nações Unidas de 1968 a 2000Foto: Dirk Eckert

Isto não está comprovado, nem por [Mohamed] El Baradei, secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Especula-se muito sobre isso, mas fazer uma guerra à base de especulações é ainda pior do que quando se sabe exatamente porque se começa uma guerra.

O que o senhor acha: o Irã quer possuir armas nucleares?

Não me surpreenderia se outras nações também quisessem se tornar potências nucleares, pois os países ocidentais estão operando com uma moral dupla. Os americanos exigem de outros países que evitem armas nucleares, mas eles próprios trabalham no desenvolvimento de uma nova geração de armas atômicas. Isto talvez tenha sido aceitável há 30, 40 anos, mas hoje não é mais. Vivemos numa era da confrontação intensificada, na qual tais padrões duplos são rejeitados. Por isso não se pode excluir que o Irã – assim como Índia, Paquistão e Israel já o fizeram – adquira a capacidade de produzir armas nucleares.

O senhor consideraria preocupante se o Irã se tornasse uma potência nuclear?

Naturalmente, isso torna mais provável o perigo de choques e de acidentes nucleares, por isso é preciso ser contra. Mas é algo que tem que ser discutido e resolvido no Conselho de Segurança das Nações Unidas, na grande mesa de negociações diplomáticas. Com músculos militares, de forma alguma avançaremos. A escalada em um conflito militar só servirá para que outros países façam o mesmo, aumentando o perigo de um ataque nuclear global.

Qual é hoje a probabilidade de uma guerra contra o Irã?

Teoricamente, uma guerra como esta poderia acontecer a qualquer dia. A guerra está planejada. Mesmo assim, não acredito que haverá um confronto militar com o Irã. O mundo está muito dividido para isso. E não podemos esquecer que o governo Bush está prestes a terminar.

Mas Bush disse que todas as opções continuam sobre a mesa. Quão séria é esta afirmação?

Isso não se pode ignorar. A União Européia, também o governo alemão, devem deixar claro nas conversas com Bush que há outros caminhos alternativos à solução militar.

Israel teria ensaiado um ataque ao Irã numa manobra militar.

Isso faz parte das ameaças de guerra, para fazer pressão. Mas de forma alguma significa que estejam dispostos a dar este grave próximo passo, dando início a mais uma guerra no Oriente Médio ao atacar Teerã.

O mandato de George W. Bush está prestes a acabar. Que nota o senhor dá a ele?

A nota que se deve dar a Bush não consta na escala de 1 a 6 [notas concedidas no sistema educacional alemão]. É assolador o que aconteceu durante seu mandato, tanto no tocante à qualidade de vida do povo norte-americano como para a segurança internacional, que ele alega ter sido um de seus objetivos.