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O Brasil na imprensa alemã (08/11)

8 de novembro de 2017

Jornais dedicaram espaço à Festa do Peão de Barretos e observaram que, mesmo nos EUA, melhores peões de rodeio são brasileiros. Destaque também para gradual recuperação da economia.

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O Parque do Peão, em Barretos
O Parque do Peão, em BarretosFoto: Imago/AGB Photo

Süddeutsche Zeitung - Oito segundos, 04/11/2017

Há barulho. Pessoas berram, um locutor grasna no microfone, a música grita, rock e country a todo volume. Há claridade. Luzes piscam, holofotes se cruzam. E Cartdrige, que se irrita com tudo isso, está enervado.

Estar enervado é, por assim dizer, a tarefa de Cartdrige. Só por isso ele está aqui. Cartdrige é um touro. São 900 quilos de ossos, dentes, músculos e raiva. Ele se agita na jaula apertada na qual ele foi enfiado. Alguma coisa está nas suas costas.

E é com o impacto de uma granada que Cartdrige sai da sua jaula. Ele corcoveia, escoiceia, se vira e se sacode, salta pelos ares. Em cima desse monstro enfurecido está Silvano Alves. Ele é um tipo esportivo, de 1,80 metro e 70 quilos. Ele não tem nenhuma chance contra Cartridge. Bastam três segundos, e Silvano Alves voa para a serragem que cobre o chão da arena.

Para Silvano Alves este foi um dia normal de trabalho. Uma cavalgada brutal, um arremesso na sujeira: é assim que esse jovem de 29 anos ganha seu dinheiro. Há nove anos que ele é peão de rodeio profissional, durante a temporada de competições ele se apresenta quase todo fim de semana em algum rodeio do Estados Unidos. Como nesta noite de sábado em Austin, no Texas. O rodeio é um esporte muito apreciado no sul dos Estados Unidos.

Enquanto o público na arena saúda o "Veterano da noite", Silvano Alves conversa com alguns colegas – em português. O rodeio pode ser o mais americano dos esportes americanos, mas muitos dos peões mais bem-sucedidos vêm do Brasil. Entre os 25 melhores da atual temporada, que termina neste fim de semana com o campeonato mundial em Las Vegas, 11 são brasileiros. O campeonato mundial é disputado desde 1994, e nove vezes o título ficou com um brasileiro.

E há apenas dois homens que foram três vezes campeão mundial – também dois brasileiros. Um se aposentou com o corpo todo estropiado. O outro é Silvano Alves, campeão dos anos 2011, 2012 e 2014.

Quem vem do Brasil e é três vezes campeão do mundo usufrui de um status especial no próprio país: ele recebe o apelido de Pelé. Em referência ao Pelé original, o único jogador de futebol a vencer três Copas do Mundo, há no Brasil o Pelé do vôlei de praia, o Pelé do futebol para cegos, o Pelé do Samba. Silvano Alves é o Pelé do rodeio.

Die Tageszeitung - Pátria do caubói, 04/11/2017

Bem-vindos à Festa do Peão. Rodeio é uma modalidade esportiva tradicional, oriunda do Brasil, que encontrou grande aceitação no continente norte-americano. 

Com um milhão de visitantes, a Festa do Peão é o maior festival do gênero na América Latina. E o único motivo pelo qual Barretos, uma cidadezinha com absolutamente nada de especial, de cerca de 100 mil habitantes, localizada nos cafundós do quente noroeste do estado de São Paulo, é conhecida em todo o país.

Nesses dias de festa, há ainda mais SUVs e picapes do que o normal. Mas até as mais incrementadas delas parecem minúsculas perto da estátua monumental que se ergue como um padroeiro, bem acima do burburinho. O colosso de Barretos tem cerca de 20 metros de altura e é um caubói de pedra com olhar determinado.

Sem dúvida, a Festa do Peão é barulhenta. Sua marca registrada são concursos de rodeio, acompanhados de hardrock, ritmos de quermesse e um animador bem-humorado. São vários palcos, nos quais as estrelas da música sertaneja, cada vez mais popular, se apresentam. No estacionamento ao fundos pode-se ver os ônibus e caminhões de equipamentos de músicos famosos como Thaeme & Thiago ou Marquinho Guerra. Há muito que o festival é conhecido por shows pomposos dessa dimensão.

Handelsblatt - Primavera brasileira, 02/11/2017

Quando investidores privados abriram o Porto Itapoá, no sul do Brasil, a empreitada parecia arriscada: os armazéns ficam no meio de um manguezal, o cais se estende em paralelo a uma praia de areia, a próxima cidade grande está a 80 quilômetros de distância e só pode ser alcançada por estradas regionais.

Mas o local escolhido pelos operadores, entre eles a sucursal brasileira do grupo Hamburg Süd, mostrou ser acertado: o faturamento do porto cresceu continuamente, mesmo na dura recessão, da qual o Brasil aos poucos se liberta.

Hoje o Porto Itapoá é o sexto maior do país – e continua sendo ampliado: em quatro anos, os operadores querem quadruplicar a capacidade. "Vamos crescer duas vezes mais rápido do que a economia brasileira", prevê Roberto Pandolfo, o diretor comercial do porto de Itapoá.

O que impulsiona o faturamento no Porto Itapoá vale também para a economia brasileira como um todo: com o consumo interno, os brasileiros estão saindo da recessão. No comércio, o faturamento cresce em dois dígitos. Isso também faz com que o ritmo na indústria volte a crescer. O desemprego começa a cair.

A economia deverá crescer de novo este ano, ainda que só um pouco. Para 2018, o FMI espera um crescimento de 1,5%, bancos de investimentos até mesmo o dobro disso. Há dois meses, as perspectivas eram bem menos otimistas.

Os motivos para a alta do consumo são a inflação baixa em níveis históricos e os juros que caem mais rápido do que o esperado. A inflação baixa tem muitas causas: as empresas baixaram os preços durante os três anos de recessão, e uma colheita recorde deflacionou os preços dos alimentos.

Também importante é a política coerente do Banco Central e do Ministério da Fazenda. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, conduz uma política monetária transparente e independente, com a qual ele conseguiu empurrar os juros reais para o nível histórico de cerca de 5%. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, cortou as subvenções que proliferavam sem controle, modernizou a legislação trabalhista e leva adiante a privatização do setor energético.

Ainda assim: o governo é extremamente impopular.

AS/ots