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O Brasil na imprensa alemã (30/04)

30 de abril de 2019

A declaração de Bolsonaro sobre o turismo gay no país e as ameaças à Amazônia representadas pela política ambiental do novo governo são assuntos de destaque na semana que passou.

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Área desmatada na Amazônia vista a partir do solo
Mídia alemã alerta que desmatamento na Amazônia deve crescer com BolsonaroFoto: picture-alliance/Balance/Photoshot

Bild.de – Turistas gays são indesejados sob Bolsonaro, 27/04/2019

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou durante um café da manhã com a imprensa na quinta-feira que não quer que seu país se torne "um paraíso para turistas gays". "Nós temos famílias", completou Bolsonaro, segundo a revista brasileira Exame.

Interessante é a diferenciação que Bolsonaro também volta a ressaltar agora. Porque, claramente, o político de 64 anos parece não ter problema algum com o turismo sexual em si, contanto que ele se limite ao relacionamento heterossexual. "Se quiserem vir aqui fazer sexo com uma mulher, fiquem à vontade", disse Bolsonaro.

Jean Wyllys, um ativista LGBT que partiu para o exílio após várias ameaças de morte, disse que os comentários são apenas uma continuação das opiniões de Bolsonaro sobre as minorias no país. Em entrevista ao Guardian, o congressista David Miranda foi ainda mais claro: "Isso não é um chefe de Estado – é uma vergonha nacional."

Deutschlandfunk Kultur – Destruidor ambiental Bolsonaro e o desmatamento na Amazônia, 29/04/2019

Os senhores originais das florestas, os povos indígenas, não podem esperar apoio do novo presidente. Bolsonaro tem repetidamente deixado claro que quer desenvolver e explorar a região amazônica. Ele quer criar estradas, suspender ou acabar com regras de proteção ambiental.

Do ponto de vista de Bolsonaro, ainda há espaço suficiente na Amazônia para pastagens e plantações de soja. E ele anunciou que não concederá um palmo a mais de terra sequer para os povos indígenas. Afirmou que, sob seu governo, não haverá a demarcação de um centímetro de reserva indígena. Entretanto o Brasil tem uma dívida histórica a pagar. Desde 1988, o direito dos povos indígenas à terra de seus ancestrais está consagrado na Constituição. Dentro de cinco anos essas áreas deveriam ser medidas e demarcadas. Mas hoje, após 30 anos, apenas metade foi distribuída.

Nas reservas, os indígenas podem viver sob suas próprias regras, continuar seu modo de vida tradicional e sustentável. Os ambientalistas dizem que é a melhor maneira de salvar a floresta. Mas essa ideia é uma pedra no sapato do novo presidente.

Frankfurter Allgemeine Zeitung – A Amazônia entre os fronts da guerra comercial, 24/04/2019

Um desmatamento crescente na Amazônia não teria só um impacto dramático sobre a flora e fauna do ecossistema altamente sensível, mas também consequências globais. [...] Pois a Floresta Amazônica é uma das mais importantes reservas globais de CO2. Já hoje, os desmatamentos do "pulmão verde" do planeta liberam mais de 500 milhões de toneladas de CO2 por ano. O cultivo de soja na Amazônia está limitado por uma moratória, mas os fazendeiros a contornam transformando as pastagens seu gado em plantações de soja e levando seu gado para pastar na floresta.

Essa prática pode se tornar ainda mais simples com Bolsonaro – e aumentar com a disputa tarifária [entre EUA e China], temem os pesquisadores. Eles alertam que o desmatamento de 3 milhões de hectares de floresta amazônica nos anos de pico de 1995 e 2004 pode ser significativamente excedido. Pois para o Brasil se revela uma oportunidade para expandir seu poder de mercado: para a China existem poucas ou nenhuma alternativa à ampliação do comércio com o Brasil para que o país consiga obter soja de que tanto necessita. Mesmo se todos os países produtores de soja contribuíssem para cobrir a demanda dos chineses e o Brasil mantivesse constante sua participação no mercado chinês de importação de soja, os agricultores brasileiros teriam que entregar 17 milhões de toneladas a mais e precisariam de quase 6 milhões de hectares adicionais de área.

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