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Opinião: Brasil precisa de novas eleições

31 de maio de 2016

O governo interino de Michel Temer corre o risco de afundar em nova série de escândalos. A situação mostra que ir às urnas é a única maneira de encurtar a agonia do país, opina a jornalista Astrid Prange.

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Astrid Prange é jornalista da DW
Astrid Prange é jornalista da DW

A derrocada política do Brasil ainda não acabou. A crise do governo de transição do presidente em exercício Michel Temer mostra sobretudo uma coisa: o Brasil está passando por uma transformação. Até agora, o país sobreviveu a todas as crises segundo a máxima "mudar tudo, para que tudo fique como está". Mas agora a elite política e econômica do país arrisca perder pela primeira vez o poder.

Tanto faz, se ditadura militar ou democracia, generais ou presidentes democraticamentes eleitos, no Brasil sempre valeu o acordo tácito de que a supremacia das elites sociais não são tocadas. Todo político que tentou mudar isso, foi impedido.

O impeachment da presidente Dilma Rousseff também seguiu este mesmo esquema. Após 13 anos de PT no Palácio do Planalto, a paciência das forças conservadoras do país pareceu ter chegado ao fim.

À primeira vista, os críticos da presidente Dilma pareciam ter razão. Pois o PT não tinha revelado ser tão passível de se corromper como qualquer outra legenda, através do envolvimento de membros do primeiro escalão do partido em numerosos escândalos de corrupção?

O escândalo envolvendo a estatal Petrobras parecia confirmar esta hipótese. As investigações da Lava Jato levaram à condenação e prisão de petistas destacados, como o ex-ministro José Dirceu.

Mas, então, os adversários políticos de Dilma Rousseff não conseguiram mais se livrar dos espíritos que eles próprios invocaram. Como no famoso poema O aprendiz de feiticeiro, em que uma vassoura se torna um carregador de água e fica incontrolável, os procuradores brasileiros não quiseram mais dar um fim às suas investigações.

As vassouras da Justiça continuam a varrer incansavelmente, a ameaçar toda a classe política com uma faxina. O novo governo de Michel Temer se comporta agora como o aprendiz de feiticeiro de Goethe e ameaça afundar numa enchente de novas revelações.

O lema brasileiro "mudar tudo, para que tudo fique como está" chegou a seu limite. O plano da oposição, de retirar a presidente por impeachment e empossar simplesmente um novo governo, não funcionou.

Talvez esta seja a boa notícia em meio à grave crise: já se foi o tempo em que os políticos brasileiros podiam governar como coronéis. A população brasileira exige dos seus representantes, com razão, um mínimo de respeito às leis e integridade.

Eleições antecipadas seriam a única maneira de encurtar a agonia política e a queda econômica da nona maior economia do mundo até as eleições regulares em 2018. Desperta desse feitiço, Brasil!