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Religião

Papa mantém silêncio após ser acusado de acobertar abusos

27 de agosto de 2018

"Leiam o documento atentamente e façam o vosso próprio julgamento", declara Francisco sobre carta em que ex-embaixador do Vaticano o acusa de ignorar histórico de abusos sexuais cometidos por cardeal americano.

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Papa Francisco participa de entrevista coletiva a bordo de avião, após visita de dois dias à Irlanda
Papa Francisco participa de entrevista coletiva a bordo de avião, após visita de dois dias à IrlandaFoto: Reuters/G. Borgia

O papa Francisco se recusou a confirmar ou negar as alegações de um antigo núncio (embaixador) do Vaticano nos EUA, que acusou o líder da Igreja Católica de ter ignorado durante seu pontificado as ações do ex-arcebispo de Washington Theodore McCarrick, acusado publicamente em julho de abuso sexual.

Em carta aberta publicada neste domingo (26/08), o arcebispo Carlo Maria Vigano acusou o papa Francisco de ter anulado sanções contra o cardeal McCarrick e de ter ignorado as descrições do seu comportamento homossexual predatório junto a jovens seminaristas e sacerdotes.

"Não vou dizer uma palavra sobre isso, acho que o comunicado fala por si", disse o papa numa coletiva de imprensa no domingo, durante seu voo de retorno a Roma após visita à Irlanda. "Leiam o documento atentamente e façam o vosso próprio julgamento."

O papa foi questionado sobre a veracidade das alegações de Vigano de que os dois discutiram as alegações contra McCarrick em 2013. Os jornalistas também perguntaram sobre as alegações de que McCarrick já estava sob sanção na época, mas que foi reabilitado pelo próprio Francisco.

"A corrupção atingiu o topo da hierarquia da Igreja", disse o arcebispo Vigano em sua carta aberta, na qual chegou a exigir a renúncia do papa Francisco. A carta de 11 páginas foi publicada em alguns meios de comunicação de viés conservador em vários países. Nela, o arcebispo de 77 anos acusou clérigos do Vaticano de formarem um "lobby gay" e de encobrirem as acusações contra McCarrick.

Vigano disse que seus dois predecessores de Francisco informaram a Santa Sé sobre as acusações contra McCarrick a partir de 2000. Vigano afirmou ter enviado ao menos dois memorandos sobre o cardeal. O papa Bento 16 chegou a decretar uma sanção perpétua contra McCarrick em 2009 ou 2010, disse.

Segundo Vigano, o papa Francisco lhe perguntou sobre McCarrick em junho de 2013. "Santo Padre, se perguntar à Congregação de Bispos, há um dossiê bastante extenso sobre ele. McCarrick corrompeu gerações de seminaristas e padres", Vigano disse ter respondido na época.

Pouco tempo depois, McCarrick voltou a viajar em missões em nome da Igreja. Ele foi um dos intermediários do Vaticano nas conversações entre EUA e Cuba, em 2014.

Vigano, no entanto, também teve problemas com acusações de acobertamento, e ele e o papa Francisco tiveram um expressivo desentendimento na visita papal aos EUA em 2015. Kim Davis, uma das principais vozes americanas contra o casamento gay, esteve entre os convidados, e trechos das reuniões foram vazados – o que enfureceu o papa.

Na onda de alegações devastadoras de abuso sexual e acobertamento que vem atingido a Igreja Católica, um recente relatório judicial na Pensilvânia determinou que 300 padres abusaram de mais de mil crianças num período de mais de 70 anos em seis dioceses diferentes. O escândalo levou a pedidos por renúncias e punições e por uma investigação completa do Vaticano sobre quem sabia o que e quando sobre McCarrick.

Em junho do ano passado, McCarrick, de 88 anos, foi afastado do colégio cardinalício e Francisco "ordenou a sua suspensão do exercício de qualquer ministério público, assim como a obrigação de permanecer na casa que lhe será destinada para uma vida de oração e penitência". Em julho deste ano, o papa aceitou a renúncia de McCarrick como cardeal.

PV/ap/lusa

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