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Pesquisa projeta verdes como maior força política alemã

25 de abril de 2021

A cinco meses da eleição que definirá sucessor de Merkel, sondagem coloca Partido Verde à frente na corrida, com 28% das intenções de voto.

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Annalena Baerbock, Armin Laschet ou Olaf Scholz: candidatos a suceder Merkel
Annalena Baerbock, Armin Laschet ou Olaf Scholz: candidatos a suceder MerkelFoto: Leonie von Hammerstein/DW

Uma pesquisa divulgada neste domingo (25/04) coloca o Partido Verde com a maior parcela das intenções de voto para as eleições de setembro na Alemanha, as primeiras após mais de 15 anos sem a chanceler federal Angela Merkel.

Segundo a sondagem encomendada pelo tabloide Bild, os verdes teriam hoje 28% dos votos, um aumento de seis pontos percentuais em relação à pesquisa de uma semana atrás. A aliança conservadora CSU/CDU, de Merkel, tem 27%, uma queda de dois pontos.

A pesquisa foi realizada na mesma semana em que tanto verdes como conservadores decidiram quem serão seus nomes na corrida para suceder Merkel.

O Partido Verde optou por Annalena Baerbock. Aos 40 anos, ela é a mais jovem candidata a chanceler federal desde a formação da República Federal da Alemanha, em 1949, e apenas a segunda mulher a concorrer ao cargo.

A aliança CSU/CDU, por sua vez, definiu Armin Laschet, governador do estado da Renânia do Norte-Vestfália e um aliado de Merkel, como candidato.

Outra pesquisa para o Bild mostrou mais boas notícias para Baerbock: uma sondagem do instituto Insa indicou que, se as eleições alemãs fossem diretas, ela teria 30% dos votos, contra 20% do social-democrata Olaf Scholz (SPD) e 18% de Laschet (CDU).

Tradicionalmente, apenas partidos com reais chances de elegerem o chanceler federal indicam de antemão seu candidato para o cargo. A eleição do chanceler federal alemão é indireta e realizada pelo Bundestag (Parlamento). Com a indicação de um nome antes do início da campanha, os partidos deixam claro para os eleitores quem eles indicarão para a eleição indireta no Bundestag caso venham a liderar uma coalizão de governo.

Verdes e conservadores em momentos distintos

O conturbado processo de escolha de Laschet, definido em detrimento do mais popular Markus Söder, governador da Baviera, evidenciou a profunda divisão nas fileiras conservadoras, o que analistas avaliam como um mau sinal para os eleitores.

Em contraste, o Partido Verde tomou sua decisão sem ruídos. A questão foi decidida internamente entre Baerbock a e o outro copresidente da legenda, Robert Habeck, sem debate políticos, justamente para enviar um sinal de unidade aos eleitores.

Desde a nomeação de Baerbock, o Partido Verde registrou um recorde de filiações: ganhou 2.159 novos membros entre as últimas segunda e sexta-feiras. Normalmente, a legenda obtém entre 150 e 300 novos integrantes. No total, os verdes têm cerca de 100 mil filiados.

Nas últimas eleições, os conservadores tiveram quase 33% dos votos e formaram uma coalizão de governo com os social-democratas, chefiada por Merkel. Na ocasião, os verdes receberam 8,8% de apoio nas urnas.

Social-democratas continuam em queda

Segundo a pesquisa deste domingo, os social-democratas têm 13% das intenções de voto, uma queda de dois pontos. O partido mais antigo da Alemanha está há anos em declínio.

Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, em 2019, o partido recebeu apenas 15,8% dos votos, uma queda de 11 pontos em relação ao resultado de 2014 (27,5%).

O partido ficou, assim, relegado ao posto de terceira força política da Alemanha, atrás da CDU de Merkel e do Partido Verde, que na ocasião alcançou o maior resultado de sua história numa eleição em nível nacional.

Na eleição para o Parlamento alemão de 2017, o partido angariou apenas 20,5% de apoio, cinco pontos a menos que em 2013 e bem distante dos 40% de décadas atrás, que lhe valiam a alcunha de  Volkspartei, ou partido do povo.

O ministro das Finanças Olaf Scholz foi o indicado como candidato a chanceler pelos social-democratas.

Na sondagem deste domingo, o partido A Esquerda e o partido populista de direita AfD perderam um ponto cada em relação à semana anterior, e aparecem com 7% e 10% das intenções de voto, respectivamente. Os liberais do FDP têm 9%, mesmo número de uma semana antes.

A pesquisa publicada pela edição dominical do Bild foi conduzida por telefone pelo instituto Kantar entre os dias 15 e 21 de abril, com 1.225 eleitores.

rpr (dpa, ots)