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CriminalidadeAlemanha

Polícia detém suspeitos de roubo espetacular em Dresden

17 de novembro de 2020

Quase um ano depois do audacioso roubo de joias do século 18 no valor de um bilhão de euros num museu em Dresden, gigantesca operação policial em Berlim detém homens "fortemente suspeitos" de terem participado do roubo.

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Policial armado na Alemanha
Operação policial na capital alemã teve a participação de 1.600 agentesFoto: Hannibal Hanschke/REUTERS

A polícia alemã pode estar mais próxima de desvendar o misterioso e espetacular roubo de um museu em Dresden, em 2019. Nesta terça-feira (17/11) foram presos três suspeitos numa grande operação policial em Berlim.

Segundo o Ministério Público alemão, os três detidos são de nacionalidade alemã e "fortemente suspeitos" de terem participado do audacioso roubo no museu Grünes Gewölbe (Abóbada Verde), um dos mais espetaculares roubos das últimas décadas. Eles pertencem a uma "rede de clãs de Berlim", segundo as autoridades.

As prisões aconteceram durante uma operação em grande escala em 18 propriedades, garagens e veículos, com foco no bairro de Neukölln, em Berlim, disseram os promotores. Mais de 1.600 policiais de toda a Alemanha estiveram envolvidos na operação.

O museu Grünes Gewölbe abriga uma das coleções mais importantes de joias antigas da Europa. Os itens furtados eram de grande valor cultural e descritos como de importância inestimável.

O caso chamou atenção pela audácia e rapidez dos ladrões. Na madrugada de 25 de novembro de 2019, criminosos entraram no museu para roubar joias do século 18.  Especialistas estimaram o valor do roubo em cerca de um bilhão de euros. No quesito de valor dos bens roubados, o furto no museu de Dresden é considerado o maior da história.

Roubo em questão de minutos

O roubo aconteceu por volta das cinco horas da manhã de 25 de novembro de 2019. Os ladrões cortaram uma grade de metal e quebraram uma janela para entrar no antigo palácio residencial. Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela polícia de Dresden após o roubo mostram dois suspeitos entrando na sala.

Eles então quebram uma vitrine de vidro com um machado e pegam três conjuntos de joias do século 18. Tudo durou alguns minutos.

Quando a polícia chegou ao local, minutos após o alarme ter sido acionado pelo pessoal de segurança, os ladrões haviam fugido de carro, que mais tarde foi encontrado incendiado. Antes disso, eles provavelmente atearam fogo em uma caixa de força, o que causou a queda de energia e apagou as lâmpadas da rua. 

De acordo com imagens divulgadas pelas autoridades, as peças roubadas incluíam joias como botões e abotoaduras e uma espada incrustada de diamantes, além de um conjunto de joias que pertenceram a uma rainha da Saxônia, Amalie Auguste, do século 19. Outro item roubado foi o famoso Diamante Branco de Dresden, de 49 quilates.

Imediatamente após o crime, uma equipe de 20 pessoas com o codinome "Epaulette" − em homenagem a uma ombreira ornamentada, um dos itens roubados − iniciou as investigações.

Coleção de grande prestígio

O museu Grünes Gewölbe, situado no Castelo de Dresden, abriga uma das maiores coleções de tesouros da Europa. Ele foi fundado entre 1723 e 1729 por Augusto, o Forte, para exibir publicamente sua coleção de tesouros, tornando-o um dos museus mais antigos do mundo.

Uma das atrações turísticas mais populares da cidade, o museu tem cerca de 3 mil peças em exposição. Ele foi danificado durante a Segunda Guerra Mundial e, no final do conflito, a coleção foi levada para a União Soviética, só sendo devolvida a Dresden em 1958.

Joias, broches e espada incrustados com diamantes e brilhantes
Algumas das peças roubadas do museu em 2019

O historiador de arte Ulli Seegers, ex-chefe da filial alemã do Art Loss Register, que coleta relatos mundiais sobre o desaparecimento de objetos de arte, seja por roubo ou confisco, disse à DW em uma entrevista de 2019 que os museus sempre correm o risco de perder partes sua coleção.

"É preciso pesar com muito cuidado o que é o interesse público e como podemos proteger esses tesouros de valor irrecuperável tanto quanto possível", afirmou.

Compromissos são necessários, disse, mas, em última análise, "onde quer que você deixe as pessoas entrarem e permitir que o público participe, sempre há um risco". De acordo com Seegers, a cota de esclarecimento de roubos de joias é ainda mais baixa do que a de obras de arte.

Outro roubo espetacular

O espetacular roubo de Dresden pode ser comparado a outro roubo igualmente ambicioso de uma moeda de ouro de 100 quilos chamada "Big Maple Leaf", retirada do museu Bode, em Berlim, em 2017 e avaliada em cerca de 3,8 milhões de euros. Os ladrões, que também pertenciam a um clã criminoso de Berlim e foram presos posteriormente, usaram um carrinho de mão e um carro para fugir.

Um segurança recém-contratado pelo museu estava envolvido no crime. Três homens foram condenados à prisão por roubar a "Big Maple Leaf". As autoridades suspeitam que o tesouro tenha sido dividido em pedaços menores.

As autoridades que investigam o roubo em Dresden também interrogaram o pessoal de segurança do museu, suspeitando de acesso interno semelhante.

"Nos últimos anos, observamos uma tendência crescente de gangues em rede internacional de se concentrarem em objetos de alto valor material", disse Seegers. "O mesmo agora se aplica a essas joias, e há um medo real de que os criminosos destruam esse tesouro cultural único e o desmantelem em partes individuais."

RW/dw