Por que os populistas europeus não precisam de Trump

A extrema direita da Europa precedeu a ascensão do presidente americano ao poder. Apesar de compartilharem alguns valores do magnata, têm poucas conexões concretas com ele.

Donald Trump é provavelmente o populista mais poderoso do mundo e, nitidamente, é o que mais concentra a atenção da imprensa. Mas isso não significa que ele é o responsável pela introdução desse conceito na política global moderna.

Política | 30.04.2019

Muito antes da surpreendente ascensão de Trump a presidente dos Estados Unidos, populistas europeus já haviam se acomodado em escritórios políticos em todo o continente.

Na Áustria dos anos 1990, o Partido da Liberdade (FPÖ) ganhou popularidade e colocou o sistema partidário do país de ponta cabeça. Ao mesmo tempo, na Itália, o ex-magnata da mídia Silvio Berlusconi se transformou no primeiro líder populista moderno europeu quando assumiu o posto de primeiro-ministro, há 25 anos.

"Berlusconi foi meio que um canário na mina de carvão", diz Anna Grzymala-Busse, professora de estudos internacionais com enfoque em populismo na Universidade de Stanford. "Ele mostrou que era possível governar como um populista durante um governo caótico e que não tinha um programa muito coerente como base", recorda.

Entre os líderes populistas europeus pré-Trump, também estava Viktor Orbán, da Hungria, que foi recebido pelo presidente americano na Casa Branca no início desta semana (13/05). Orbán assumiu o poder pela primeira vez em 1998 e, logo em seguida, começou a atacar as instituições liberais democráticas do país, numa agenda que ele manteve e exacerbou desde o início de seu segundo mandato como primeiro-ministro, em 2010.

A cronologia mostra que populistas europeus existem de maneira completamente independente de Trump. Eles não precisavam nem precisam de seu apoio para serem bem-sucedidos, explica Grzymala-Busse. "Eles fizeram um trabalho muito bom de conquista da popularidade interna, sozinhos", acrescenta.

Esse populismo europeu é, em grande parte, de origem doméstica, e costuma ser alimentado por queixas específicas de cada país. Por isso, é difícil internacionalizá-lo. Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, aprendeu essa lição da pior maneira, quando tentou criar um grupo europeu de populistas de direita antes das eleições para o Parlamento Europeu, no final deste mês.

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O que é populismo?

Populistas europeus como Berlusconi antecederam ascensão de Trump

O esforço foi um amplo fracasso – o que não surpreende, segundo Mabel Berezin, socióloga da Universidade de Cornell e atualmente no Instituto de Estudos Avançados em Princeton. "Eles não precisam de Bannon", constata, referindo-se aos populistas europeus. "Eles estão se virando muito bem sozinhos."

Por isso, seria prematuro esperar que uma derrota potencial de Trump na tentativa de se reeleger em 2020 signifique necessariamente a derrocada do populismo na Europa, argumenta Grzymala-Busse.

Porém, apesar de haver poucas ligações concretas entre Trump e populistas europeus, os dois campos defendem uma posição política de base, mesmo que ampla e vaga. "Acho que eles compartilham muito da mesma ideologia, no sentido de que são céticos em relação a alianças internacionais, à democracia liberal e por simplesmente reivindicarem representar a população como um todo", define.

Além dessas posições ideológicas indefinidas, o elo mais comum entre Trump e populistas europeus é sua afinidade conjunta com a Rússia. "Eles também compartilham um apoio comum na Rússia e do fato de que a Rússia está muito ativa no suporte a movimentos na Europa e, como indicado pelo relatório Mueller, tem conexões com o presidente Trump também", diz Grzymala-Busse.   

Apesar de populistas europeus não precisarem do apoio de Trump para ter sucesso, eles veem com bons olhos o fato de o presidente americano convidá-los para a Casa Branca, como ele fez com Orbán. "Sua capacidade de dar, de certa forma, um selo americano de autenticidade a personalidades como Orbán é profundamente perturbador", afirma Berezin, da Universidade de Cornell.

"Definitivamente, isso legitima Orbán e sua turma", assinala Grzymala-Busse. "O que Trump dá a eles é um brilho adicional de legitimação internacional. E ser aceito pelo maior populista entre eles torna Orbán mais poderoso e mais legítimo não apenas internamente, mas em toda a Europa", comenta.

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Com Brexit, vila alemã vira centro da União Europeia

Bem-vindo a Gadheim, o futuro centro da UE

As poucas casas de Gadheim estão localizadas nas colinas de uma região vitivinícola da Baviera, agrupadas ao longo de uma estrada que serpenteia campos dominados por turbinas eólicas.

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Típica vila bávara

Os habitantes de Gadheim estão orgulhosos de que suas casas, vinhas, campos infinitos e o sinuoso rio Meno estejam no foco das atenções.

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Gadheim, centro da Europa?

"A maioria aqui ouviu a notícia no rádio", disse Jürgen Götz, prefeito de Veitshöchheim, que fica nas proximidades. A vila de Gadheim é muito pequena e por isso não tem prefeito. "Inicialmente pensamos tratar-se de uma piada", disse Götz. Na foto, Götz com a bandeira da União Europeia e com a agricultora Karin Kessler, que custa a acreditar que sua localidade ficou famosa da noite para o dia.

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Um campo é o centro geográfico da UE

Inicialmente ela pensou que a localização exata atingiria o terreno do vizinho, mas o filho dela enviou-lhe uma mensagem com o mapa e as coordenadas exatas: o novo centro geográfico da UE será no meio de um campo de colza dela. "O fato de que isso só esteja acontecendo por causa desse Brexit eu considero uma vergonha", disse ela.

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Outra localidade lamenta

Já Westerngrund, a cerca de 60 quilômetros a noroeste de Gadheim, perderá o título de centro da UE, adquirido em 2013 quando a Croácia ingressou no bloco. Escolares da vila verificaram que cerca de 6 mil pessoas de 93 países assinaram o livro de visitantes guardado no local exato onde é o centro geográfico até o momento.

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Turistas não tão entusiasmados

Várias bandeiras alemãs e da União Europeia marcam o local que ainda é o centro da UE. "Nós contávamos com ônibus chineses nos visitando todas as semanas. Na realidade, isso não aconteceu", disse Christoph Biebrich, o padeiro de Westerngrund, que criou pães em forma de anel com um buraco, que representa o umbigo da UE, cercado de estrelas.

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Até a próxima mudança na União Europeia

Fica o conselho do padeiro Biebrich para o povo de Gadheim: "Não se apeguem ao seu lugar ao sol. Isso logo vai mudar". Tanto os moradores de Westerngrund quanto os de Gadheim esperam que a próxima vez que o centro da UE se mover seja por causa de um novo membro, e não por causa de uma saída.

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