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Presidente do Chile condena ataque de Bolsonaro a Bachelet

5 de setembro de 2019

Piñera diz não compactuar com brasileiro e frisa valor do "respeito às pessoas". Bolsonaro acusou ex-chefe de governo chilena de "defender bandidos" e citou o pai dela, morto pela ditadura, ao exaltar o regime Pinochet.

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Presidente do Chile, Sebastián Piñera, ao lado de Bolsonaro, durante visita a Brasília
Presidente do Chile, Sebastián Piñera, ao lado de Bolsonaro, durante visita a BrasíliaFoto: Reuters/A. Machado

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, condenou nesta quarta-feira (04/09) os ataques do presidente Jair Bolsonaro à alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e ao pai dela, um militar que se opôs à ditadura e foi preso, torturado e morreu sob custódia do regime de Augusto Pinochet.

O presidente chileno, que é um dos principais aliados regionais de Bolsonaro, afirmou que qualquer pessoa pode ter o "próprio julgamento histórico" sobre os governos chilenos nas décadas de 1970 e 1980, mas ressaltou que tais opiniões "devem ser expressadas com respeito às pessoas".

Piñera ressaltou seu "permanente compromisso com a democracia, a liberdade e o respeito aos direitos humanos, em todo tempo, em todo lugar e em toda circunstância".

"Não compartilho em absoluto a alusão feita pelo presidente Bolsonaro a respeito de uma ex-presidente do Chile e especialmente em um tema tão doloroso como a morte de seu pai", disse Piñera em pronunciamento no Palácio de La Moneda, em Santiago.

Bachelet foi duas vezes presidente do Chile (entre 2006 e 2010 e entre 2014 e 2018) e também foi presa e torturada por agentes de Pinochet em 1975.

Bolsonaro criticou duramente a ex-presidente chilena e atual alta comissária da ONU, acusando-a de "defender os direitos de vagabundos", após ela criticar a violência policial no Brasil e dizer que o país sofre uma "redução do espaço democrático", com ataques contra defensores dos direitos humanos.

"Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares", escreveu Bolsonaro no Facebook, em resposta a declarações da ex-presidente chilena, que criticou a violência policial e a situação dos direitos humanos no Brasil.

"Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai, brigadeiro à época", acrescentou.

Ainda nesta quarta-feira, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a atacar Bachelet, mencionando o pai dela. "A senhora Michelle Bachelet: se não fosse pelo pessoal do Pinochet, que derrotou a esquerda em 1973, entre eles seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba", disse.

"Está acusando que não estamos punindo os policiais que matam as pessoas no Brasil, mas está defendendo os direitos humanos dos vagabundos", afirmou o presidente. "Parece que as pessoas que não têm nada para fazer, como Michelle Bachelet, vão para a cadeira de direitos humanos da ONU."

"Ela perdeu a briga com a agenda ambiental, igual a Macron, e agora vem com a agenda dos direitos humanos", completou Bolsonaro, se referindo aos debates gerados após os questionamentos feitos pelo presidente da França em meio aos incêndios na Amazônia. 

As palavras de Bachelet que levaram Bolsonaro a atacá-la

Bachelet alertou sobre a redução da democracia no Brasil em uma entrevista coletiva nas Nações Unidas em Genebra nesta quarta-feira, por ocasião de um balanço da gestão como Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, cargo que ocupa há um ano.

"Nos últimos meses, observamos [no Brasil] uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil", afirmou.

Já em relação às declarações de Bachelet, nas quais alegou que "1.291 pessoas foram assassinadas pela polícia" apenas em São Paulo e Rio de Janeiro, Piñera afirmou que devem ser apresentadas evidências para respaldar as palavras.

"As declarações dadas pela alta comissária devem ser devidamente justificadas com antecedentes e as evidências correspondentes, que não foram acompanhadas publicamente nesta ocasião", afirmou o presidente chileno.

Ao mesmo tempo em que Piñera dava a entrevista coletiva, o Ministério das Relações Exteriores chileno emitiu uma declaração do chanceler Teodoro Ribera.

"Hoje, Michelle Bachelet exerce o cargo de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, e suas declarações e decisões são um assunto próprio de tal organização e dos Estados aos quais ela se refere", diz o comunicado.

MD/afp/efe

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