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Procuradoria da Venezuela denuncia cerco militar à sua sede

5 de agosto de 2017

Procuradora-geral Luisa Ortega, que vem entrando em choque com governo de Nicolás Maduro por causa da Assembleia Constituinte, diz que ação é uma "arbitrariedade".

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Forças de segurança venezuelanas nas proximidades da sede da Procuradoria-Geral, em CaracasFoto: picture-alliance/AP Photo/A. Cubillos

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, denunciou neste sábado (05/08) o que chamou de "cerco" impostos por militares que se posicionaram em frente e nos arredores da sede do Ministério Público venezuelano, em Caracas.

O episódio ocorre um dia depois da posse da Assembleia Constituinte, cuja criação foi duramente criticada por Ortega nas últimas semanas. A eleição da Assembleia Constituinte foi boicotada pela oposição e fortemente criticada no exterior.

"Rejeito o cerco ao Ministério Público. Denuncio essa arbitrariedade à comunidade nacional e internacional", escreveu a procuradora em sua conta no Twitter. Ela também publicou fotos que mostram agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) nos arredores e acessos da sede.

Nesta sexta-feira, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que o governo do presidente Nicolás Maduro vem ignorando, anunciou a concessão de uma medida cautelar de proteção para Ortega, considerando que a vida e integridade dela "correm risco iminente de dano irreparável".

Choques com o regime

Apesar de ser uma chavista declarada, Ortega vem sendo chamada de "traidora" por alguns líderes do governo. Ela se distanciou do governo ao denunciar uma ruptura da ordem constitucional na Venezuela. A procuradora também apresentou vários recursos contra a Assembleia Constituinte, todos rejeitados pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), acusado de ser um órgão fantoche do governo.

A procuradora-geral, Luisa Ortega Diaz
Ortega Diaz é chavista, mas se afastou do atual governoFoto: Imago/Xinhua

Esta semana, Ortega ainda anunciou a abertura de uma investigação contra os diretores do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), após a denúncia pela Smartmatic, empresa que forneceu apoio técnico à votação da Assembleia Constituinte, de que houve "manipulação" nos resultados.

Maduro e os líderes do governo já alertaram que a Assembleia Constituinte "vai colocar ordem" no Parlamento, que é dominado pela oposição, e no Ministério Público.

Na segunda-feira, o presidente propôs que a Constituinte levante a imunidade dos deputados para levá-los à Justiça e que assuma o "controle" do MP. "O que vocês acham que a [Assembleia Constituinte] deve fazer com o Ministério Público? Reestruturá-lo imediatamente, declarar em emergência e assumir sua liderança na busca de justiça", disse ele.

A Assembleia Constituinte, dotada de "superpoderes", redigirá a nova Carta Magna, que irá substituir aquela promulgada em 1999 pelo ex-presidente Hugo Chávez.

JPS/afp/dpa/lusa