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Meio ambiente

10 de agosto de 2009

Enquanto acontece em Bonn mais um dos encontros preparatórios para a cúpula do clima em Copenhague, a proteção ambiental continua sendo um dos temais mais discutidos na Alemanha, inclusive entre os partidos políticos.

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País do automóvel: na Alemanha, necessidade de reduzir emissões é grandeFoto: AP

Se há um consenso entre as facções alemães, este é o de que a proteção ambiental é de suma importância, devendo ser tratada como prioridade pela política no país. A cada ano, a organização ambientalista Germanwatch analisa a iniciativa de vários países na implementação das medidas de combate do efeito estufa. Em 2009, a Alemanha ficou em segundo lugar no ranking da organização, logo após a Suécia.

As energias renováveis vêm recebendo um incentivo considerável no país. A Alemanha é, por exemplo, uma das poucas nações que já conseguiram atingir as metas assumidas no Protocolo de Kyoto. Entre 1990 e 2010, o país reduziu 21% de suas emissões de poluentes. A proteção ambiental é ressaltada com frequência pela premiê Angela Merkel.

Bundeskanzlerin Angela Merkel
A premiê Angela Merkel: crise não deve causar esquecimento da questão ambientalFoto: picture-alliance/ dpa

"Em tempos de crise econômica, o assunto acabou sendo deixado de lado, mas o desafio da mudança climática não perdeu absolutamente a importância após o colapso de nenhum instituto bancário", ressaltou a chefe de governo.

Importância dos investimentos

Principalmente em tempos de crise, todos os partidos alemães salientam a importância de se investirem recursos na proteção ambiental. Boa parte das verbas liberadas pelo governo alemão para programas de apoio à conjuntura foram destinadas a projetos ligados ao meio ambiente.

Sigmar Gabriel, ministro alemão do Meio Ambiente, não cansa de reiterar que a proteção climática é um setor que gera empregos. "Na Alemanha, temos uma política ambiental ambiciosa, que deverá gerar mais de 500 mil postos de trabalho adicionais até 2020. Por meio de investimentos na geração combinada de calor e eletricidade, em energias sustentáveis e na reforma de edificações, pretendemos reduzir os gastos energéticos da Alemanha em até 20 bilhões de euros", explica o ministro.

Em sua campanha eleitoral, o candidato do Partido Social Democrata (SPD) ao governo, Frank-Walter Steinmeier, promete a criação de 4 milhões de novos empregos até 2020, dos quais 2 milhões seriam no setor de tecnologia ambiental.

Divergências

Mesmo num contexto em que praticamente todos os partidos procuram acentuar a questão ambiental em suas plataformas eleitorais, há aspectos que permanecem polêmicos. Os social-democratas, por exemplo, criticam a política ambiental da União Democrata Cristã (CDU), acusando a premiê Merkel de pouco empenho na questão.

No cenário internacional, entretanto, a chefe de governo alemã tem demonstrado interesse pelo assunto nos últimos tempos. Durante a última cúpula do G8, realizada no início de julho último na Itália, ela conseguiu impulsionar um debate sobre o tema.

Consenso mundial

As reivindicações, feitas há anos por cientistas, de evitar que a temperatura do planeta suba mais de 2ºC até 2100 passam a ser compartilhadas pelos governos de países de destaque internacional.

"Sabemos que a ciência tem razão em dizer que devemos evitar um aumento da temperatura de mais de 2ºC. Dos EUA ao Japão, passando pela Europa, agora todos vão trabalhar em prol desta meta", observa Mekel.

Situação europeia

Durante a presidência alemã do Conselho da UE, em 2007, foram discutidas e posteriormente aprovadas as ambiciosas metas climáticas para o bloco. Se outros países também aderirem a acordos semelhantes, a UE economizará 30% na emissão de poluentes até o ano de 2020, um resultado considerado como vitória por quase todos os partidos alemães.

A posição consensual entre as facções deixa pouco espaço para os social-democratas e verdes se oporem os democrata-cristãos. Com uma exceção: SPD e verdes querem suspender gradativamente a produção de energia nuclear, enquanto a CDU e o Partido Liberal defendem a perpetuação do uso da energia atômica por pelo menos um período de transição, com o argumento de que esta "serve à proteção do clima".

Energia nuclear: altos custos

Umweltminister Sigmar Gabriel auf dem Zweimaster „Gotland“
Sigmar Gabriel, ministro do Meio Ambiente: contra o ônus da energia nuclearFoto: DW

O ministro Gabriel (SPD), por sua vez, pretende usar o tempo que lhe resta de campanha eleitoral para debater o assunto. "O suposto renascimento da energia nuclear mais tem a ver com os interesses das empresas que exploram a energia atômica do que com a realidade. Há 430 reatores nucleares em todo o mundo. Quando ouço o que essas empresas propõem em termos de construções novas, me pergunto de onde deverão vir os recursos para tal. A energia nuclear é incrivelmente cara. Se esses mesmos recursos forem investidos na redução de despesas com energia ou em fontes renováveis, é possível conquistar uma maior segurança energética para a população e economizar verbas públicas", argumenta Gabriel.

Mesmo que a política alemã de proteção climática tenha pontos fracos, os dois grandes partidos (CDU e SPD) não poderão tirar vantagem disso. Em consideração ao alto número de empregos ameaçados pela crise na indústria automobilística, tanto a premiê Merkel quanto o ministro Gabriel acabaram freando, juntos, alguns ambiciosos planos europeus de redução da emissão de CO2. Afinal, a indústria automobilística alemã produz veículos potentes, com alta emissão de poluentes.

Mesmo que a proteção ambiental seja tão importante para os eleitores alemães, as disputas partidárias sobre o melhor caminho para se atingir essa meta não deverão influenciar decisivamente o resultado das eleições parlamentares. Afinal, todos os partidos já adotaram a proteção ambiental como lema.

Autor: Jens Thurau

Revisão: Simone Lopes