SPD abre caminho para nova coalizão com partido de Merkel

Social-democratas decidem, por ampla maioria, estabelecer conversas sobre possíveis negociações para formar governo com conservadores. Se aliança falhar, Alemanha pode ter novas eleições.

Após horas de debate, o Partido Social-Democrata (SPD) abriu caminho nesta quinta-feira (07/12) para uma nova coalizão de governo com os partidos conservadores União Democrata Cristã (CDU), da chanceler federal Angela Merkel, e União Social Cristã (CSU).

Reunidos em Berlim, os cerca de 600 delegados do SPD votaram por ampla maioria pelo estabelecimento de conversas prévias "com resultado em aberto" com os conservadores. Se o diálogo entre SPD e CDU/CSU falharem, a Alemanha pode ter um governo minoritário de Merkel ou novas eleições.

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Martin Schulz – reeleito líder do SPD nesta quinta-feira, com 81,9% dos votos – havia pedido que os membros do partido deixassem de lado sua relutância em novamente se unir ao partido de Merkel e à legenda-irmã CSU numa grande coalizão. "Não precisamos governar a qualquer preço, mas também não podemos não querer governar a qualquer preço", disse.

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Alemanha | 20.11.2017

O que acontecerá após o fracasso das negociações para form...

Para Schulz, o SPD deve fortalecer a Europa, se preocupar com o futuro do trabalho na era digital, impulsionar uma revolução da educação, combater as mudanças climáticas e tornar as redes sociais mais seguras. "Para isso, queremos conversar, com o resultado em aberto, e ver a que soluções em termos de conteúdo podemos chegar", declarou.

O partido de Merkel saudou a decisão dos social-democratas. "O objetivo da CDU/CSU é formar um governo estável e confiável para o nosso país", disse o secretário-executivo da CDU, Klaus Schüle. "O partido vai discutir os próximos passos numa reunião da comissão executiva no domingo e na segunda-feira."

"Serão negociações difíceis, mas está claro que a Alemanha precisa de um governo estável", afirmou, por sua vez, o secretário-geral da CSU, Andreas Scheuer.

Apesar de a maioria dos social-democratas ter votado a favor das conversas prévias, uma série de delegados do partido de pronunciou, em discursos inflamados, contra uma reedição da parceria com a CDU/CSU.

Após a eleição federal de setembro deste ano – nas quais o SPD obteve seu pior resultado desde 1949 –, os social-democratas anunciaram que voltariam à oposição.

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Com isso, a Alemanha ficou diante de uma formação inédita de governo: a chamada coalizão "Jamaica", uma alusão à semelhança entre as cores da União Democrata Cristã (CDU), do Partido Liberal Democrático (FDP) e do Partido Verde, e a bandeira do país caribenho.

No entanto, as sondagens entre os partidos fracassaram após o FDP anunciar que estava abandonando a mesa de negociações, no último dia 19 de novembro, complicando o futuro de um quarto mandato de Merkel como chanceler federal.

As primeiras conversas entre líderes da CDU/CSU e do SPD devem acontecer já na próxima semana. Em janeiro, deve haver uma votação sobre sobre possíveis negociações de coalizão. Um possível acordo de coalizão ao fim das negociações teria, então, que ser aprovado por todos os 440 mil membros do SPD via votação por carta. 

LPF/dpa/rtr/afp

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Primeiro juramento

"Eu quero servir a Alemanha". A promessa foi feita por Angela Merkel no dia 22 de novembro de 2005, quando tomou posse como chanceler. Depois da vitória apertada nas eleições gerais, ela se tornou a primeira mulher e a primeira alemã da antiga parte oriental a ocupar o cargo. Merkel se tornou a chefe de governo, comandado pela grande coalizão formada entre os partidos CDU, CSU e SPD.

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Quem tem medo do cão de Putin?

Merkel é conhecida por sempre ser racional e se manter calma. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, quis aparentemente testar os nervos da chanceler quando a recebeu na residência presidencial em Sochi, em 2007. Putin conseguiu revelar o ponto fraco de Merkel: ela tem medo de cães. Isso não impediu que o presidente russo deixasse o labrador Koni farejar os sapatos da chanceler.

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Resgate financeiro

Em situações de crise, Merkel age com frieza. Quando os mercados financeiros entraram em colapso em 2008 e ameaçaram prejudicar a economia alemã, a chanceler se empenhou na proteção do euro e na criação de fundos de resgate para as economias mais fracas do bloco europeu. Ela se destacou como eficiente gestora de crises, mas não escapou de receber críticas de países como Grécia e Espanha.

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Caminho para o segundo mandato

Apesar do pior desempenho da aliança conservadora na história, Merkel venceu as eleições de 27 de setembro de 2009. Depois de se aliar ao Partido Social-Democrata (SPD), a chanceler estava pronta para iniciar o segundo mandato ao lado de outro parceiro, o Partido Liberal Democrático (FDP).

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Resposta rápida

Merkel que, como física, é conhecida por pensar de forma objetiva, não previu a catástrofe nuclear de Fukushima, no Japão. Defensora da política nuclear na Alemanha, Merkel mudou de posição em tempo recorde. A extensão do prazo de funcionamento das usinas foi suspenso e a Alemanha iniciou o processo de colocar fim ao uso da energia nuclear.

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O homem ao seu lado

Quem o reconheceria? Quem conhece sua voz? Há dez anos, o marido de Merkel, Joachim Sauer, professor de Química da Universidade Humboldt, em Berlim, se mantém discreto. Eles estão casados desde 1998.

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As escutas de comunicações de políticos alemães por parte da Agência de Segurança Nacional (NSA), dos Estados Unidos, abalaram as relações da Alemanha com a Casa Branca. Até o celular de Merkel foi alvo de espionagem. Uma frase da chanceler ficou famosa: "Não é aceitável que países amigos espiem uns aos outros".

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O clube de fãs de Merkel é extenso, mas na Grécia é provavelmente menor. A hostilidade contra a chanceler alemã nunca foi tão grande como em 2014, no auge da crise da dívida grega. A imagem de velha inimiga ressurgiu, mas Merkel se manteve firme em relação à política de austeridade que previu cortes e reformas a serem cumpridos por Atenas.

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Sexta-feira 13 – um massacre em novembro. A França está em situação de emergência e Merkel ofereceu "toda a assistência" ao país vizinho. O medo do terrorismo se espalha. Não há dúvidas de que esse é o maior desafio de Merkel em dez anos no poder.

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Barulho na coalizão

Foi o castigo máximo para a chanceler federal. No congresso da CSU, em novembro de 2015, Horst Seehofer a repreendeu. O líder da legenda-irmã do partido de Merkel na Baviera criticou que a política migratória da chefe alemã de governo fez com que o país perdesse o controle de suas próprias fronteiras. Uma humilhação que Merkel teve que suportar de pé e sem oportunidade de resposta.

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Será que ele não poderia ficar?

Seria um alívio para Merkel continuar a lidar com Obama. Mas, no início, ela era bastante cética quanto a ele. O monitoramento do celular da chanceler federal, no contexto do escândalo de espionagem da NSA, parecia abonar a sua postura reservada. Mas, agora, um parceiro previsível sai de cena e dá lugar a Donald Trump. O jornal "New York Times" já a chama de "defensora do Ocidente liberal".

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Finalmente, após meses de intensas especulações em torno de sua candidatura à reeleição, Merkel confirma a sua intenção de concorrer a um quarto mandato. Durante entrevista coletiva em 20/11, ela diz à liderança de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), estar preparada para chefiar a legenda na eleição parlamentar alemã, prevista para setembro ou outubro de 2017.