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Crise da EHEC

7 de junho de 2011

Sem conseguir apontar a fonte da contaminação da doença que vem assustando a Europa, autoridades alemãs são criticadas por países vizinhos e por partidos da oposição.

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Foco de transmissão da EHEC ainda é desconhecidoFoto: dapd

O surto de contaminação pela bactéria EHEC que atinge a Europa e que já fez pelo menos 24 vítimas fatais instalou uma verdadeira crise no continente. A Alemanha, onde foram registrados os primeiros casos de contaminação por esta cepa da Escherichia coli, vem recebendo duras críticas de outros países sobre a maneira como conduz o caso.

Passadas três semanas do início da epidemia, as autoridades alemãs não identificaram a fonte de transmissão da bactéria. E por duas vezes precisaram voltar atrás em declarações sobre possíveis focos.

As críticas partiram especialmente da Espanha, durante encontro emergencial de ministros da Saúde de países da União Europeia (UE) nesta terça-feira (07/06), em Luxemburgo. Agricultores espanhóis amargam enormes prejuízos, depois de representantes do governo alemão terem anunciado que os pepinos importados daquele país seriam os responsáveis por espalhar a doença.

Dias depois, no entanto, especialistas confirmaram que o vegetal não era a fonte de transmissão da doença. Mesmo sem provas concretas do foco da EHEC, as autoridades ainda sustentam a recomendação de se evitar saladas de folhas, pepinos e tomates crus.

Há dois dias, o mesmo aconteceu com sementes germinadas, que também chegaram ser anunciadas como focos transmissores – informação desmentida 24 horas depois.

EHEC / Labor / Bakterien
Por duas vezes alemães voltaram atrás em declarações sobre possíveis focosFoto: dapd

A ministra espanhola Leire Pajín afirmou sentir um profundo "mal-estar" pela gestão da crise por parte das autoridades alemãs, e confirmou que "naturalmente" serão pedidas compensações financeiras para produtores de pepinos em seu país. A ministra pediu ainda que as investigações na Alemanha sejam aceleradas e propôs uma maior participação da Comissão Europeia no processo.

Crise política

As perdas políticas para o governo de Angela Merkel com a crise do EHEC também são grandes, já que a falta de êxito até agora nas buscas pelo agente transmissor da bactéria deixa as autoridades alemãs extremamente vulneráveis. Os oposicionistas social-democratas (SPD) afirmam que a comunicação no governo é "caótica" e defendem a criação de um gabinete centralizado de crise.

A opinião é partilhada pelo Parlamento Europeu, que também vem tecendo duros comentários sobre a ação da Alemanha neste caso. Para o parlamento, está faltando claramente uma "divisão de competências" entre os governos federal e dos estados. Rebecca Harms, representante dos Verdes, cita o modelo centralizado norte-americano como exemplo de ação nestes casos. Ela afirma que nem a Alemanha, nem a UE estavam preparadas para a crise da EHEC.

John Dalli
Para Dalli, Alemanha deveria ter sistema de alerta mais eficienteFoto: European Union, 2010

Ambientalistas, políticos, especialistas e consumidores também questionam a velocidade com que as informações sobre "possíveis pistas" do foco de transmissão estão sendo dadas. Para John Dalli, comissário de Saúde da UE, a fonte da infecção não pode ser indicada antes de ser comprovada por meio de testes. Ele ainda pede um sistema de alerta mais eficiente. "No mercado interno, temos de reagir de forma rápida e decidida, as formas de comunicação precisam ser rápidas e flexíveis", afirmou Dalli.

Também o especialista para saúde e alimentação do Escritório alemão de Informação ao Consumidor, Stefan Etgeton, considerou "pouco feliz" que tenha sido um secretário estadual da Saúde a anunciar, no domingo, a pista sobre brotos contaminados. "Teria sido melhor que a informação tivesse vindo do Instituto Robert Koch", salientou. O instituto é o principal centro epidemiológico da Alemanha.

A ministra alemã da Agricultura e de Defesa do Consumidor, Ilse Aigner, se defende das acusações. "O gerenciamento da crise está funcionando – as autoridades concentram toda sua força na luta contra esta epidemia. Este não é o momento para debates federais", disse Aigner.

MS/dpa/afp
Revisão: Roselaine Wandscheer