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Trump pressionado para reconhecer derrota nas eleições

12 de novembro de 2020

Presidente dos EUA atrasa processo de transição e gera avalanche de ações judiciais para reverter vitória de Joe Biden. Confinado na Casa Branca, ele tenta por todos os meios evitar o que parece inevitável.

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evita aparecer em público após derrota para Joe Biden
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evita aparecer em público após derrota para Joe BidenFoto: Carlos Barria/Reuters

Aumenta cada vez mais a pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que ele reconheça a derrota nas eleições de 3 de novembro e possibilite o início do processo de transição.

Segundo as projeções, seu adversário, o democrata Joe Biden, assegurou a vitória no último sábado ao superar o total de 270 colégios eleitorais necessários para vencer a corrida à Casa Branca.

Nesta quarta-feira (11/11), ele abriu uma vantagem de mais de cinco milhões de votos em relação a Trump, segundo a contagem do voto popular, enquanto a apuração ainda continua em alguns estados.

Nesta quarta-feira, Trump deixou a Casa Branca para uma aparição pública de 10 minutos, na ocasião do Dia dos Veteranos, no cemitério de Arlington. O evento solene possibilitou um certo ar de normalidade a um combalido presidente que tenta por todos os meios impedir o que parece cada vez mais inevitável.

Esta foi a primeira aparição de Trump em um evento oficial em mais de uma semana, depois de passar os últimos dias em uma espécie de autoconfinamento, lançando uma série de postagens raivosas no Twitter que repetem suas acusações não provadas de fraude nas eleições. 

Desde a consagração da vitória de Biden, o presidente não fez nenhuma declaração pública, além das manifestações na rede social. Antes do evento em Arlington, ele voltou ao Twitter para renovar suas acusações e criticar o processo eleitoral, além de atacar um representante republicano que defendeu a lisura dos resultados da apuração na Filadélfia.

Segundo uma apuração da agência de notícias Associated Press, cada vez mais assessores próximos ao presidente passam a acreditar que as eleições estão, de fato, perdidas, e que terão de deixar a Casa Branca antes da posse de Biden, no dia 20 de janeiro.

De acordo com esses mesmos assessores, que preferem permanecer anônimos, Trump acredita que a imprensa – incluindo a emissora Fox News, sua mais tradicional aliada – trabalha para derrubá-lo.

Alguns em sua equipe afirmam, porém, que ele está ciente de sua situação, mas sente que tem de demonstrar para seus mais de 70 milhões de eleitores que continua na batalha. Poucos em seu círculo mais próximo tentam convencê-lo a jogar a toalha.

Apesar de se manter longe dos holofotes, Trump tomou uma série de decisões nos últimos dias, como demitir o secretário de Defesa, Mike Esper, e colocar três funcionários extremamente leais em cargos no mais alto escalão da pasta.

Mas, mesmo assim, parece que, enquanto o presidente avalia suas opções, seu envolvimento com o ato de governar está praticamente interrompido. 

Segundo sua agenda, há semanas ele não participa das reuniões com as agências de inteligência. Seu governo pouco fez para combater a epidemia de covid-19 no país, que nos últimos dias atingiu números recordes em diversos estados.

"Nada impedirá a transição de poder nos EUA", diz Biden

O processo de transição está estagnado. O diretor dos Serviços Gerais de Administração do governo, nomeado por Trump, se omitiu de certificar Biden como o vencedor das eleições. 

A certificação possibilitaria a liberação de verbas para o processo e abriria o caminho para a equipe de transição do presidente eleito enviar seus representantes para as agências governamentais.

Biden, contudo, minimizou a importância da certificação e disse que sua equipe já se prepara para assumir o governo dos EUA.

Avalanche de processos na Justiça

A campanha de Trump segue firme em sua ofensiva jurídica para provar as alegações de fraude alardeadas pelo presidente. Seus advogados já entraram com ao menos 15 processos somente na Pensilvânia, em um esforço para tentar reverter os 20 votos no colégio eleitoral do estado. Outras ações legais também estão em andamento no Arizona, Nevada e Michigan e na Georgia.

Entretanto, nesse último, o Secretário de Estado – um republicano – afirmou nesta quarta-feira que não há sinais de fraude na contagem dos votos. Até o momento, Biden está à frente de Trump na Georgia, com uma diferença de mais de 14 mil votos.

Alguns dos processos foram reunidos às pressas, contendo inclusive erros de procedimento, além de pouco conteúdo para sustentar as alegações. Uma juíza em Michigan rejeitou uma dessas ações, afirmando se tratar de "rumores inadmissíveis". Após os advogados entrarem com uma apelação, a corte devolveu o registro, alegando "falhas".

Até agora, a campanha de Trump obteve uma pequena vitória, ao receber permissão para que seus observadores acompanhem mais de perto o processamento dos votos pelos correios na Filadélfia – o mesmo estado em que o representante republicano foi criticado pelo presidente por não apontar supostas fraudes.

Mas os litígios continuam chegando aos tribunais, normalmente centrados em torno de acusações de observadores republicanos, sem provas suficientes para sustentá-las.

De qualquer modo, especialistas parecem duvidar que o resultado das eleições possa ser revertido em um só estado. Mais improvável ainda seria uma reversão em nível nacional. 

Alguns assessores de Trump dizem que, na verdade, toda essa movimentação teria como maior objetivo instigar a base de Trump, em vez de virar o jogo a favor do presidente.

RC/ap/rtr