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Reivindicação justa?

Marion Andrea Strüssmann3 de junho de 2003

A luta no leste da Alemanha pela equiparação da jornada de trabalho à do oeste volta a gerar greves.

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Grevista do leste alemãoFoto: AP

Uma nova onda de protestos teve início na segunda-feira (2/6), quando mais de 11 mil trabalhadores das indústrias siderúrgica, metalúrgica e elétrica, especialmente do Estado da Saxônia, voltaram a cruzar os braços com o intuito de pressionar a classe patronal a diminuir a carga horária semanal de trabalho.

As paralisações, que devem se estender para outros estados do leste da Alemanha, são organizadas e incentivadas pelo sindicato dos metalúrgicos IG-Metall, que pleiteia uma jornada de trabalho semanal de 35 horas, a mesma praticada no oeste, ao invés das atuais 38 horas vigentes no leste.

Especialistas classificam a disputa de "absurda" e "perigosa" para a atual conjuntura do país. Em época de crise, de taxa elevada de desemprego, lutar por uma redução de horas de trabalho só implicaria no agravamento da já péssima situação econômica em que a Alemanha se encontra.

O Instituto Alemão de Pesquisa Econômica alertou para as devastadoras conseqüências de tal reivindicação para o mercado de trabalho e a conjuntura. O conflito pode, inclusive, levar ao colapso de todo o tradicional sistema de acordos coletivos vigente no país. Em resumo, este não seria o momento adequado para se pensar em reduzir o tempo de trabalho, embora não se possa ignorar que uma equiparação da jornada semanal entre o leste e oeste seja justa.

É do outro lado

A líder da bancada única da União Democrata Cristã e da União Social Cristã (CDU/CSU), Angela Merkel, defendeu, em recente entrevista, que a melhor alternativa para contornar a crise seria aumentar a jornada de trabalho no oeste e não diminuir a do leste. "É preciso trabalhar mais no oeste pelo mesmo salário e não o contrário. Isto significa que são os trabalhadores do oeste que devem se equiparar aos do leste."

A representante do maior partido de oposição esclareceu que, frente à inevitável globalização, muitos cidadãos acabarão concluindo que é melhor trabalhar uma hora a mais pelo mesmo salário do que ficar desempregado.

Novo encontro

O sindicato dos metalúrgicos acusa Merkel de querer deturpar o impasse e instigar o extermínio de postos de trabalho no leste. O empresariado, por sua vez, culpa o próprio IG-Metall de querer afundar ainda mais a economia do país.

As empresas revelaram que por enquanto não pretendem punir os grevistas, embora não considerem legítimo o resultado do plebiscisto que aprovou a greve com a participação de apenas 11.513 dos 125 mil trabalhadores com direito a voto.

Greves além fronteiras

A escalada de greves não atinge apenas a Alemanha. Nesta terça-feira, está sendo realizada na Áustria a maior greve no país deste 1945. Os meios de transporte públicos ficarão paralisados durante todo o dia. A coleta de lixo em Viena e outras grandes cidades foi suspensa. As escolas, repartições públicas e correios também participam da greve geral convocada pelos sindicatos, para protestar contra os planos de mudança no sistema previdenciário anunciados pelo governo austríaco.

As medidas incluem a redução do valor da aposentadoria e o aumento do tempo de serviço em seis anos para os homens (59 para 65) e em três anos (57 para 60) para as mulheres. O governo da Áustria defende as mudanças alegando que elas são necessárias para evitar um colapso do sistema da previdência a médio prazo.

Na França, os ferroviários e controladores de vôo também estão em greve pelo mesmo motivo. O governo francês planeja fazer alterações na previdência. Cerca de 80% das decolagens e aterrissagens foram suspensas no país. Os trens estão parados e os provenientes do estrangeiro só conseguem chegar até as estações que fazem fronteira com a França. Boa parte da malha ferroviária e aérea da Europa foi atingida pelas paralisações.