Cimeira do G20 arranca na Argentina e sem Merkel

A cimeira do G20 começa esta sexta-feira em Buenos Aires, com a guerra comercial entre China e EUA no topo da agenda. A chanceler alemã, Angela Merkel, não chegará a tempo da abertura devido a avaria no avião oficial.

Chefes de Estado e de Governo das 20 maiores economias mundiais reúnem-se na Argentina para discutir os principais temas da agenda internacional. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu aos líderes do G20 que adotem compromissos mais ambiciosos contra as alterações climáticas, para evitar uma divisão que, na sua opinião, seria dramática. "É necessário um compromisso sobre o programa de trabalho do Acordo de Paris", apelou Guterres.

A Cimeira do Clima da ONU, a COP24, será realizada na próxima semana em Katowice, na Polónia. António Guterres lançou a responsabilidade pela redução das emissão aos membros do G20: "Eles são responsáveis por mais de três quartos das emissões de gases poluentes. Também é verdade que têm o poder de reduzir as emissões." 

Guerra comercial China-EUA

Um dos pontos de maior interesse e incógnita no encontro anual do G20 é a forma como o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o seu homólogo da China, Xi Jinping, se relacionarão, quando se reunirem a sós e quando na cimeira a 20 discutirem as relações comerciais a nível global.

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MEDIATECA | 30.11.2018

Cimeira do G20 arranca na Argentina

Nos últimos dias, Donald Trump provocou uma escalada verbal na guerra comercial, ao anunciar que a atitude intransigente da China levaria os EUA a estenderem o âmbito do incremento de taxas alfandegárias sobre os produtos chineses.

Meio Ambiente | 29.11.2018

O Governo de Pequim reagiu de imediato, anunciando aumentos tarifários sobre produtos oriundos dos EUA, mas também dos países aliados dos norte-americanos.

Donald Trump, que chegou quinta-feira a Buenos Aires, já anunciou que esta visita de dois dias será marcada por "importantes reuniões" e será "muito produtiva".

Presença saudita polémica

Depois de um encontro bilateral, o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o seu homólogo argentino, Mauricio Macri, manifestaram-se sobre a participação na cimeira do príncipe saudita Mohammad bin Salman, após o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

"Esperamos que todas as investigações feitas na Turquia e na Arábia Saudita continuem e esclareçam a verdade à família do senhor Khashoggi e à comunidade internacional", declarou Macron.

Assassianto do jornalista Jamal Khashoggi perturba a diplomacia mundial

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch pediu ao Governo argentino para investigar o príncipe saudita por crimes de guerra no Iémen. A Constituição argentina reconhece a jurisdição universal para crimes de guerra e tortura.

Sobre a guerra no Iémen, o secretário-geral da ONU afirmou que procurará o diálogo com a Arábia Saudita. "Há um interesse vital em discutir com as partes envolvidas para garantir que os obstáculos existentes sejam removidos e que um diálogo para a paz possa terminar com o conflito mais trágico do ponto de vista do impacto humanitário.", disse António Guterres.

Merkel ainda a caminho

A chanceler alemã, Angela Merkel, irá perder a abertura da cimeira devido a uma avaria no avião oficial, que fez uma aterragem de emergência na cidade de Colónia por problemas técnicos.

O atraso afetará a agenda de Merkel  em Buenos Aires. A previsão era que a chanceler alemã se encontrasse com os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. Fontes do governo alemão ainda não informaram se alguma das reuniões será cancelada devido ao atraso.

O encerramento da cimeira está programado para sábado, quando é esperada a adoção de um comunicado conjunto dos líderes presentes. A chamada "Declaração dos Líderes" reflete os consensos alcançados pelo grupo nos principais temas da agenda internacional, como a economia global, comércio internacional, e alterações climáticas, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, educação, combate à corrupção, entre outros.

17 objetivos para o futuro

1º objetivo: um mundo sem pobreza

Até 2030, nenhuma pessoa deverá mais ter que viver em extrema pobreza. A comunidade internacional pretende assim ir mais longe do que com os Objetivos do Milénio, que previam apenas cortar para metade até 2015 o número de pessoas que vive na miséria. A definição da Organização das Nações Unidas (ONU) para "extrema pobreza" é ter que subsistir com o equivalente a menos de cerca de um euro por dia.

17 objetivos para o futuro

2º objetivo: um mundo sem fome

Atualmente, mais de 800 milhões de pessoas não têm suficiente para comer, diz a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Até 2030, mais nenhuma pessoa deverá sofrer de subnutrição. Para conseguir o objetivo, será promovida a agricultura sustentável e fomentados os pequenos agricultores e o desenvolvimento rural.

17 objetivos para o futuro

3º objetivo: saúde em todo o mundo

Anualmente morrem em todo o mundo 6,6 milhões de crianças com menos de cinco anos. E todos os anos morrem 500 mil mulheres durante a gravidez ou o parto. A mortalidade infantil e materna podia ser evitada com meios simples. Até 2030, todas as pessoas deverão beneficiar de cuidados de saúde preventivos, assim como obter vacinas e medicamentos a preços acessíveis.

17 objetivos para o futuro

4º objetivo: formação escolar para todos

Seja menina ou menino, rico ou pobre: até 2030, cada criança deverá obter uma formação escolar, que, mais tarde, lhe permita encontrar um emprego. Homens e mulheres deverão ter as mesmas oportunidades de formação, independentemente da sua etnia ou condição social, ou de uma deficiência física.

17 objetivos para o futuro

5º objetivo: a igualdade de géneros

As mulheres deverão ter as mesmas possibilidades que os homens de participar na vida pública e política. A violência e o casamento forçado serão relegados à história. E as mulheres de todo o mundo deverão passar a ter acesso livre a contracetivos e planeamento familiar. Este objetivo é criticado por alguns representantes religiosos.

17 objetivos para o futuro

6º objetivo: água como direito humano

A água é um direito humano. Não obstante, 770 milhões de pessoas não têm acesso a água potável e mil milhões de pessoas não têm acesso a sistemas sanitários, segundo a ONU. Até 2030, todas as pessoas deverão poder aceder a água potável e sistemas sanitários a preços módicos. A água deverá ser consumida de forma sustentável e os ecossistemas protegidos.

17 objetivos para o futuro

7º objetivo: energia para todos

Até 2030, todas as pessoas deverão ter acesso a eletricidade e energia, de preferência de fontes renováveis. A taxa mundial de eficiência energética deverá ser duplicada e a infraestrutura alargada, sobretudo nos países mais pobres. Atualmente, cerca de 1,3 mil milhões de pessoas não têm eletricidade.

17 objetivos para o futuro

8º objetivo: condições de trabalho justas para todos

Condições de trabalho justas e sociais em todo o mundo, oportunidades de emprego para os jovens e uma economia global sustentável: o oitavo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aplica-se a países industrializados e em vias de desenvolvimento e inclui a eliminação do trabalho infantil e o respeito pelas normas de trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

17 objetivos para o futuro

9º objetivo: infraestruturas sustentáveis

O desenvolvimento económico do qual todos possam beneficiar deverá ser fomentado através da melhoria das infraestruturas. A industrialização deve fazer-se de forma ecológica e sustentável, garantindo que crie mais e melhor emprego e fomente a inovação, de modo a contribuir para a justiça social.

17 objetivos para o futuro

10º objetivo: uma distribuição equitativa

Segundo a ONU, mais de metade do crescimento económico global beneficia apenas 1% da população mundial. O fosso entre pobres e ricos é cada vez mais fundo. Por isso, a política internacional de desenvolvimento deverá ajudar sobretudo a metade mais pobre da população e os países mais pobres do mundo.

17 objetivos para o futuro

11º objetivo: cidades nas quais se possa viver

Nos centros urbanos deverão ser construídos apartamentos e casas a preços acessíveis, assim como espaços verdes ecológicos. Os países em vias de desenvolvimento receberão apoio para tornar as cidades resistentes a catástrofes naturais causadas pelas alterações climáticas.

17 objetivos para o futuro

12º: consumo e produção sustentáveis

Todo o mundo é responsável pela reciclagem, a reutilização de recursos e a diminuição do lixo, sobretudo na produção de alimentos e no consumo. Os recursos devem ser explorados e usados de forma ecológica e socialmente responsável. Os subsídios para as energias fósseis devem ser gradualmente eliminados.

17 objetivos para o futuro

13º objetivo: combater as alterações climáticas

Hoje já há um consenso global sobre a necessidade de tomar medidas para conter as alterações climáticas. Os países mais ricos deverão ajudar os mais pobres através da transferência de tecnologias e fundos. Ao mesmo tempo deverão reduzir substancialmente as suas próprias emissões.

17 objetivos para o futuro

14º objetivo: a proteção dos oceanos

Os oceanos estão já à beira do colapso e é necessário agir com rapidez para salvá-los. Até 2020 deverão ser tomadas medidas contra a pesca excessiva, assim como a destruição de zonas costeiras e de ecossistemas marinhos. A poluição dos mares com lixo e adubos só deverá ser significativamente reduzida até 2025.

17 objetivos para o futuro

15º objetivo: travar a destruição do meio ambiente

Aos países membros da ONU foram concedidos cinco anos para pôr cobro à degradação ambiental maciça das bacias hidrográficas, florestas e biodiversidade. Até 2020, a terra, florestas e fontes de água. A gestão dos recursos naturais deverá ser fundamentalmente alterada.

17 objetivos para o futuro

16º objetivo: impor a lei e a justiça

Todas as pessoas têm que ser iguais perante a lei. O terrorismo, crime organizado, violência e corrupção devem ser combatidos com eficácia através das instituições nacionais a cooperação internacional. Até 2030, todas as pessoas terão o direito a uma identidade legal e uma cédula de nascimento.

17 objetivos para o futuro

17º objetivo: um futuro solidário

Como já fora estabelecido nos Objetivos do Milénio, os países ricos deverão finalmente contribuir com 0,7% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para o desenvolvimento. A Alemanha, por exemplo, atualmente dedica 0,39% do seu PIB à ajuda ao desenvolvimento. Apenas cinco países atingiram a meta estabelecida de 0,7%: Noruega, Dinamarca, Luxemburgo, Suécia e Grã-Bretanha.