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Moçambique: Alice Mabota processada por fraude e má gestão

Sitoi Lutxeque (Nampula)
30 de abril de 2018

Ativista está a ser processada por gestão danosa e pagamentos fraudulentos, o que fez suspender a ajuda de parceiros e prejudica quase 200 funcionários da organização.

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Foto: DW/S. Lutxeque

A ativista e primeira presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, Alice Mabota, está a ser processada criminalmente pela organização da qual é fundadora. A queixa-crime, remetida em finais de março ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) de Maputo, acusa Mabota de irregularidades, como a má gestão e pagamento fraudulento e ilícito de imóveis para seus familiares. Em causa, estão muitos milhões de meticais.

Na sua mais recente edição, o jornal moçambicano SAVANA reporta que Alice Mabota e seus correligionários se apoderaram de forma consciente e deliberada de bens alheios. Segundo a publicação, o grupo delapidou a organização em 14.400,00 dólares americanos, durante o período de agosto de 2013 a julho de 2014.

À DW África, Fernão Penga Penga, vice-presidente da organização, disse que "não convém fazer uma abordagem detalhada do processo, mas são muitas questões que se levantam, desde os salários fantasmas, aluguéis de casas e uma série de coisas".

De acordo com Penga Penga, "para nós, [este processo] é importante para a demonstração da transparência, da integridade e para a responsabilização". Ele ressaltou que "como organização, temos apelado ao Estado moçambicano a transparência e nós temos que mostrar que somos exemplo disso".

Responsabilização Devido a estes e outros problemas, em novembro do ano passado, a organização afastou Alice Mabota da liderança, depois de 25 anos na gestão da mesma. Fernão Penga Penga reconhece os esforços empreendidos por Mabota no engrandecimento da organização, mas diz ser mesmo necessário que ela responda judicialmente pelas práticas.

LMDH acusa a gestão de Alice Mabota

"Isso não inibe a responsabilidade da Alice Mabota sobre algumas práticas que levaram a instituição a uma situação difícil. Portanto, essa situação ocorreu como consequência dos problemas que a Liga [Moçambicana dos Direitos Humanos] enfrenta de má gestão. E descobrimos que tinham a ver com práticas ilícitas que temos de provar e responsabilizar", disse.

Na Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, atualmente a situação é considerada crítica. Pouco mais de 180 colaboradores em todo o país enfrentam problemas de salários desde 2014, segundo Penga Penga. "Desde há quatro anos e meio que os doadores deixaram de contribuir por causa de problemas de má gestão. Mas o resto a justiça vai dirimir", afirmou.

Ativista nega acusações

Falando à DW África, Alice Mabote entende haver uma intenção de "manchar o seu nome" e diz que prefere aguardar pela justiça. A fundadora daquela organização está confiante que sairá "limpa" do caso.

"Quem está a fazer bem é comentado, as pessoas que não estão a fazer nada não veem a superfície. O que devo garantir é que com o tempo a justiça dirá alguma coisa. Eu aguardo que seja chamada para responder. Podem apagar com tudo, mas eu vou continuar", disse.

A Liga Moçambicana dos Direitos Humanos está instalada em quase todas as províncias do país há mais de 25 anos com a missão de defender os direitos do povo.

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