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Insurgentes rohingyas massacraram hindus, diz Anistia

23 de maio de 2018

Grupo armado da minoria muçulmana teria matado mais de 50 hindus no mesmo dia em que atacou postos policiais em Myanmar. Resposta sangrenta do governo resultou na fuga de 700 mil rohingyas para o Bangladesh.

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Em novembro, os governos de Bangladesh e Myanmar assinaram um acordo para repatriar milhares de rohingyasFoto: picture-alliance/AP Photo/M. Swarup

Um grupo armado da minoria rohingya matou mais de 50 hindus no mesmo dia em que atacou postos policiais em Myanmar em 2017, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (23/05) pela Anistia Internacional (AI). Os ataques contra as forças de segurança desencadearam uma repressão sangrenta do governo birmanês contra a minoria, e centenas de milhares fugiram para o Bangladesh.

No relatório, a Anistia Internacional citou testemunhas e análise forense de imagens para acusar o Exército de Salvação Rohingya de Arakan (Arsa), que luta pela autonomia do grupo étnico, de executar 53 homens, mulheres e crianças hindus no vilarejo de Ah Nauk Kha Maung, no estado de Rakhine, no oeste de Myanmar, em 25 de agosto passado.

A organização de direitos humanos afirmou que testemunhas também relataram que o Arsa matou 46 hindus no vilarejo vizinho de Ye Bauk Kyar, que desapareceu no mesmo dia, e que insurgentes rohingya executaram seis hindus na aldeia de Myo Thu Gyi, em 26 de agosto.

"Nossa mais recente investigação na área ajuda a esclarecer abusos dos direitos humanos do Arsa, em grande parte subestimados, durante a história recente e indescritivelmente sombria no norte de Rakhine", disse Tirana Hassan, diretora de resposta a crises da Anistia.

O governo de Myanmar, um país de maioria budista, acusou os insurgentes da minoria muçulmana rohingya de matar hindus em Ah Nauk Kha Maung no mesmo dia em que o Arsa realizou ataques coordenados contra postos policiais espalhados pelo estado de Rakhine.

Mas as acusações contra o Arsa foram rapidamente ofuscadas pela resposta violenta do governo aos ataques contra a polícia local. Desde agosto, as forças de segurança expulsaram cerca de 700 mil civis rohingya, que fugiram para o vizinho Bangladesh – na época, organizações de direitos humanos e as Nações Unidas classificaram e medida de "limpeza étnica".

As acusações do governo de Myanmar também pareciam não ter credibilidade depois que repórteres estrangeiros ouviram histórias conflitantes sobre quem cometeu o suposto massacre de sobreviventes hindus que fugiram para Bangladesh junto com os refugiados rohingyas. A mídia internacional não pôde verificar as informações porque o governo birmanês proibiu a entrada de jornalistas estrangeiros no estado de Rakhine.

A Anistia Internacional relatou que membros do Arsa ameaçaram sobreviventes para impedi-los de falar. "Testemunhas afirmaram inequivocamente que rohingyas, supostamente combatentes do Arsa, eram os responsáveis [pelo massacre]", disse a organização.

O Exército de Salvação Rohingya de Arakan não respondeu às acusações da Anistia Internacional. O porta-voz do governo de Myanmar, Zaw Htay, disse à agência de notícias Reuters que não comentaria o relatório porque ainda não o havia lido.

O Conselho de Segurança da ONU vem pedindo à maioria budista em Myanmar que permita que os refugiados retornem com segurança às suas casas, e que atue para acabar com as décadas de discriminação contra a minoria muçulmana.

Em novembro passado, os governos de Bangladesh e Myanmar assinaram um acordo para repatriar milhares de rohingyas, mas as autoridades dizem que o processo tem sofrido atrasos devido a problemas organizacionais.

PV/afp/rtr/ap

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